O senador Flávio Bolsonaro (PL) teria utilizado um avião particular providenciado por Jason Miller, assessor ligado à área de comunicação do governo de Donald Trump, para viajar aos Estados Unidos. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (29) pelo jornal norte-americano The New York Times.
Segundo a reportagem, a organização da viagem também contou com a participação do deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que teria mantido contato com Miller para viabilizar o deslocamento.
O planejamento teria começado na segunda-feira (26), depois que Flávio recebeu orientação para entregar seus passaportes, conforme relato de uma fonte ouvida pelo jornal e familiarizada com a logística da viagem.
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Na noite de terça-feira (27), a aeronave partiu da Argentina com destino ao Equador, onde realizou uma parada para abastecimento. Em seguida, o avião seguiu para Miami, nos Estados Unidos, onde Flávio desembarcou acompanhado de familiares.
Procurada pela CNN Brasil, a Casa Branca direcionou os questionamentos sobre o episódio a Jason Miller. O Departamento de Estado norte-americano e o assessor também foram procurados, mas não haviam apresentado respostas até a última atualização da reportagem.
De acordo com o New York Times, Flávio Bolsonaro e seus familiares receberam uma autorização condicional do governo norte-americano para permanecer no país por até um ano, com validade prevista até outubro de 2027. Esse tipo de autorização pode ser concedido em situações específicas, incluindo circunstâncias de caráter humanitário.
O senador também teria planos de solicitar um green card, documento que permite a estrangeiros residir e trabalhar legalmente nos Estados Unidos por tempo indeterminado, desde que cumpram as exigências da legislação migratória.
Ainda segundo a publicação, existe a expectativa de que o governo Trump acelere a análise do pedido, em procedimento semelhante ao que teria ocorrido com Eduardo Bolsonaro. O deputado federal conseguiu seu documento em julho de 2026, após aguardar mais de um ano pelo andamento da solicitação.
Na quarta-feira (28), o presidente Donald Trump confirmou que o governo norte-americano havia concedido autorização para a entrada de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos.
Questionado por jornalistas sobre uma carta na qual o senador teria se autodeclarado “presidente eleito” do Brasil, Trump evitou comentar diretamente o conteúdo do documento.
“Não vou me envolver”, respondeu o presidente. Em seguida, afirmou que a eleição brasileira havia sido “muito estranha”.
Trump já fez declarações questionando o processo eleitoral brasileiro, mas não apresentou provas de fraude. A legitimidade das eleições foi reconhecida pelas autoridades responsáveis pelo processo eleitoral e por observadores independentes.
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O episódio envolvendo a viagem do senador, a participação de seu irmão e a suposta articulação com um assessor ligado ao governo norte-americano deverá continuar repercutindo nos cenários político e diplomático dos dois países.