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Flávio defende afastamento de Andrei e diz que 'grupo especial' de Lula na PF foi 'desmascarado'
Foto: Reprodução

Aliados de candidato do PL prestam apoio a nova decisão de Mendonça

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu nesta terça-feira o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, alvo de decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que apontou o monitoramento ilegal de suas atividades. Flávio afirmou que um “grupo especial de Lula” dentro da corporação foi “desmascarado oficialmente”.

 

A manifestação foi acompanhada por uma ofensiva de integrantes da campanha e aliados do presidenciável em defesa do ministro e contra a cúpula da PF, Alexandre de Moraes e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

 

— Chefe da PF, companheiro, camarada, amigo, irmão, brother, cupincha, parça, aliado, preposto, indicado, pau-mandado de Lula, acusado de liderar investigações clandestinas contra um ministro do STF. Grupo especial de Lula na Polícia Federal desmascarado oficialmente. Que a honrosa e gloriosa Polícia Federal volte a ter autonomia para ir atrás de bandidos, e não de adversários políticos de Lula — afirmou Flávio.

 

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No entorno do candidato do PL, a decisão é tratada como um reforço ao discurso adotado nos últimos dias de que a cúpula da PF teria atuado politicamente em meio à crise que colocou Mendonça e Moraes em lados opostos. Aliados também passaram a usar o episódio para intensificar as cobranças contra Moraes e atribuir a Lula responsabilidade pela permanência de Andrei no comando da corporação.

 

Coordenador da campanha de Flávio e líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (RN) defendeu que Andrei permaneça afastado e associou a atuação do diretor-geral da PF ao governo Lula. O senador já vinha fazendo críticas ao comando da corporação e, na semana passada, anunciou que levaria à Procuradoria-Geral da República uma notícia-crime contra Moraes e Andrei.

 

— Andrei Rodrigues precisa permanecer afastado. A PF não pode ter no comando alguém que vive no Planalto, despacha com Lula e paira sob suspeita em casos sensíveis. Isso afronta a instituição, contamina investigações e transforma a Polícia Federal em instrumento de aparelhamento e blindagem do governo — afirmou Marinho.

 

A decisão também foi usada por aliados de Flávio para ampliar a pressão sobre o Senado por uma reação a Moraes. O líder do PL na Casa, Carlos Portinho (RJ), voltou a cobrar do presidente Davi Alcolumbre (União-AP) o andamento do pedido de impeachment do ministro que, segundo ele, já reúne o apoio de mais de 41 senadores.

 

— O Congresso, quando abre mão das suas funções, é capturado pelo Poder Judiciário, e há inúmeros exemplos disso tanto na gestão Pacheco quanto na gestão Alcolumbre. Não abrir o processo de impeachment que tem mais de 41 apoios de senadores é o mais sintomático, porque permite o desequilíbrio dos Poderes e fere sua harmonia — afirmou.

 

Portinho também responsabilizou Lula por não ter afastado o diretor-geral antes da decisão de Mendonça.

 

— A exoneração e o afastamento de Andrei pelo Lula eram medidas imediatas e necessárias, até para que pudesse se defender dos fatos, que são gravíssimos. Lula não o fez e deixou para o STF fazê-lo — disse.

 

Líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ) afirmou que a decisão aumenta a pressão sobre Lula e sobre a escolha de Andrei para o comando da corporação. Para ele, o episódio reforça uma acusação que integrantes do partido já vinham fazendo sobre a atuação da Polícia Federal.

 

— Decisão judicial se cumpre! Pressiona o Lula, Andrei e a indicação dele. Reforça o que sempre falamos, que tem uma PF paralela fazendo politicagem — afirmou.

 

Vice de Flávio na disputa pelo Planalto, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL) também classificou o episódio como “gravíssimo” e afirmou que o afastamento reforça suspeitas de instrumentalização da corporação.

 

— Ministro André Mendonça e servidores teriam sido monitorados ilegalmente. Uma vergonha — disse.

 

As manifestações se espalharam entre outros nomes da oposição. O senador Sergio Moro (PL-PR) afirmou que Andrei não tinha mais condições de permanecer no comando da PF e responsabilizou Lula por não ter tomado a iniciativa.

 

— Todo apoio ao ministro André Mendonça. O diretor Andrei Rodrigues não tem condições de permanecer no comando da Polícia Federal. Se Lula se omite, as demais instituições têm que agir — afirmou.

 

O senador Carlos Viana (PSD-MG) foi além e anunciou que apresentou uma representação pedindo a prisão preventiva de Andrei. Segundo ele, é necessário apurar quem teria determinado eventual monitoramento de Mendonça, quem executou a medida e qual teria sido a destinação das informações obtidas.

 

Também aliado de Flávio em São Paulo, o presidente da Assembleia Legislativa paulista e candidato ao Senado, André do Prado (PL), manifestou apoio a Mendonça e afirmou que o afastamento é uma medida para garantir uma apuração “com independência, transparência e sem qualquer interferência”.

 

Mendonça determinou nesta terça-feira, além do afastamento de Andrei, que a Corregedoria da própria Polícia Federal abra procedimentos investigatórios de natureza penal e administrativo-disciplinar para apurar a atuação do diretor-geral. O ministro também afastou Leandro Almada da Diretoria de Inteligência Policial.

 

Segundo Mendonça, as medidas são necessárias para permitir que integrantes do Supremo, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e servidores da PF exerçam suas funções “sem constrangimentos ilegais”.

 

Horas depois, a Segunda Turma do STF formou maioria para manter o afastamento de Andrei. Mendonça votou para confirmar sua própria decisão e foi acompanhado por Luiz Fux e Nunes Marques. O julgamento, no entanto, foi interrompido por um pedido de vista de Gilmar Mendes, e a decisão cautelar permanece em vigor.

 

O episódio é mais um capítulo do embate aberto entre Mendonça e Moraes em torno das investigações sobre o Banco Master. Na semana passada, Moraes pediu que o colega fosse investigado por supostos crimes cometidos na condução de inquéritos sob sua relatoria. O movimento ocorreu depois de Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF que revelou mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro a Moraes.

 

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Mendonça, por sua vez, afirmou na decisão desta terça-feira ter sido alvo de monitoramento ilegal pela Polícia Federal ao longo de agosto, com a produção de relatórios de inteligência sobre sua atuação. A divulgação de um desses documentos por Moraes havia sido usada pelo ministro para levantar suspeitas sobre a condução das investigações por Mendonça. 

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