Decisão permite que investigadores consultem informações de ação da Polícia Civil de São Paulo que apurou suspeitas de fraude e desvio de recursos públicos
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal (PF) a acessar dados de uma operação realizada pela Polícia Civil de São Paulo que teve como alvo Karina Ferreira da Gama, responsável pela produção do filme Dark Horse, obra que retrata parte da trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A operação ocorreu em junho deste ano e investigou um contrato firmado entre o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG administrada por Karina, e a Prefeitura de São Paulo. A apuração levantou suspeitas de possíveis fraudes e desvio de recursos públicos relacionados ao acordo.
O processo tramita sob sigilo. A decisão de Dino foi divulgada inicialmente pelo jornal O Globo e posteriormente confirmada pelo Metrópoles.
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Durante a ação, agentes realizaram buscas em dois endereços ligados à produtora e também nas sedes do Instituto Conhecer Brasil e da Go Up Entertainment, empresa responsável pelo filme Dark Horse.
Além de comandar a ONG, Karina é proprietária da produtora cinematográfica.
O longa passou a ser acompanhado de perto pela PF e pelo STF depois que veio à tona a existência de aportes financeiros feitos por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que está preso desde março em uma investigação relacionada a suspeitas de fraude financeira.
Dino é relator no STF de uma investigação que apura possíveis repasses de emendas parlamentares para empresas, entidades e organizações ligadas à produção do filme.
Entre os políticos citados está o deputado federal Mario Frias (PL-RJ). Em maio, ele respondeu a questionamentos do ministro sobre a suspeita de ter destinado recursos ao Instituto Conhecer Brasil. Conforme a denúncia analisada pela Corte, o parlamentar teria enviado R$ 2 milhões à organização.
No mês passado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu que a relatoria do caso fosse transferida para o ministro André Mendonça. O argumento foi de que Mendonça também conduz uma investigação relacionada aos R$ 61 milhões que teriam sido destinados por Daniel Vorcaro.
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A autorização concedida por Dino permite que a PF tenha acesso às informações da operação paulista para avaliar eventual relação com as investigações que já tramitam no STF.