Em nova decisão, ministro pede que Executivo e Congresso prestem explicação sobre responsabilidade parlamentar na destinação de emendas
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou que o governo federal e o Congresso Nacional apresentem uma proposta que estabeleça uma matriz de responsabilidades para a execução das chamadas emendas Pix. A medida busca deixar claro quem responde por cada etapa da destinação e fiscalização dos recursos públicos, reforçando os mecanismos de transparência e controle sobre esse tipo de repasse.
Na decisão, Dino destacou que as emendas parlamentares não podem ser tratadas como simples transferências bancárias entre pessoas físicas. Segundo o magistrado, o dinheiro envolvido pertence ao orçamento público e, por isso, deve seguir regras constitucionais, critérios de rastreabilidade e prestação de contas. Ao justificar a medida, afirmou que indicar uma "emenda Pix" é completamente diferente de fazer um Pix para um familiar ou para um estabelecimento comercial.
O ministro também determinou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, apresentem ao STF uma proposta que defina as atribuições de cada agente público envolvido na execução das emendas. O objetivo é evitar dúvidas sobre responsabilidades administrativas, financeiras e jurídicas durante a aplicação dos recursos.
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Outro ponto destacado por Dino é que o aumento do poder dos parlamentares na destinação de verbas públicas precisa ser acompanhado por mecanismos equivalentes de responsabilização. Na avaliação do ministro, a falta de definição sobre quem responde pela execução das emendas dificulta investigações, provoca conflitos de competência entre órgãos de controle e pode comprometer o princípio do juiz natural em processos envolvendo integrantes do Congresso Nacional.
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A decisão amplia a ofensiva do Supremo em favor da transparência na utilização das emendas parlamentares, especialmente das chamadas emendas Pix, modalidade que permite transferências diretas de recursos para estados e municípios. O STF pretende estabelecer regras mais claras para garantir o acompanhamento da aplicação do dinheiro público e fortalecer os instrumentos de fiscalização sobre essas verbas.