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Flávio e Michelle fazem ofensiva no PL e interferem em candidaturas ao governo e Senado nos estados
Foto: Reprodução

Movimento mexe no tabuleiro das unidades mais populosas da federação — São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro — e pressiona aliados locais

A família Bolsonaro colocou o pé no acelerador e iniciou uma ofensiva para que o PL lance candidatos próprios a governador em todos os estados, movimento que ameaça acordos já bem encaminhados com partidos aliados e promete bagunçar o tabuleiro político de 2026. A articulação é liderada pelo senador Flávio Bolsonaro, que trabalha para garantir palanques “puro-sangue” ao projeto presidencial do clã.

 

A estratégia mira principalmente os maiores colégios eleitorais do país — São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro — e tem um objetivo claro: evitar alianças que dividam espaço com nomes da centro-direita, como os do PSD, e reforçar a associação direta com o número 22. Nos bastidores, a leitura é que isso impulsiona votos de legenda para deputado federal e ajuda o PL a fortalecer candidaturas ao Senado, uma das grandes apostas da família Bolsonaro.

 

Em São Paulo, a diretriz cria constrangimento direto ao governador Tarcísio de Freitas, filiado ao Republicanos. Ele já resistiu mais de uma vez às pressões para migrar para o PL e mantém distância do presidente da sigla, Valdemar Costa Neto. A avaliação de Tarcísio é que disputar a reeleição pelo PL poderia empurrá-lo mais à direita do que pretende e afastar apoios do Centrão, além de abrir espaço para adversários ligados ao presidente Lula.

 

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Mesmo assim, o cerco já começou. O deputado estadual Gil Diniz, o “Carteiro Reaça”, que adotou politicamente o sobrenome Bolsonaro, defende que o PL abandone Tarcísio e lance um candidato próprio ao governo paulista. Por ora, é voz isolada, mas alinhada ao discurso que Flávio tenta espalhar.

 

Em Minas Gerais, a nova linha também causa turbulência. O vice-governador Mateus Simões (PSD), indicado por Romeu Zema para a sucessão, contava com o apoio do PL, que agora pode ser retirado. Outro nome afetado é o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), líder em pesquisas. Para pressionar, Flávio passou a ventilar a candidatura do deputado federal Nikolas Ferreira ao governo mineiro — hipótese que não empolga o próprio Nikolas, defensor de uma aproximação com Simões.

 

No Rio de Janeiro, berço do bolsonarismo, o cenário é ainda mais confuso. Antes da eleição direta, o estado deve passar por uma eleição indireta para o governo, após a saída de Cláudio Castro para disputar o Senado. Com uma sequência de impedimentos e afastamentos, caberá ao presidente do Tribunal de Justiça assumir provisoriamente e convocar a votação na Alerj.

 

Nesse contexto, o PL trava uma briga interna. Castro quer emplacar seu secretário da Casa Civil, Nicola Miccione, um nome técnico e sem pretensão de reeleição. Flávio, porém, prefere alguém que saia fortalecido da indireta para enfrentar Eduardo Paes na disputa direta. O favorito hoje é Douglas Ruas, secretário estadual de Cidades e aliado do presidente estadual do PL, Altineu Côrtes.

 

Em outros estados, o movimento também provoca ruído. Na Bahia, o PL é próximo de ACM Neto, que tentará novamente o governo, enquanto o ex-ministro João Roma surge como aposta bolsonarista ao Senado. No Espírito Santo, o diretório do PL recuou nas conversas com o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, e passou a defender a candidatura do senador Magno Malta ao governo.

 

A influência da família Bolsonaro não se limita a Flávio. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também entrou em campo. Em Santa Catarina, ela reforçou publicamente o apoio à deputada Caroline de Toni para o Senado, gesto visto como interferência direta na composição da chapa do governador Jorginho Mello. O movimento ocorre num momento delicado, em que De Toni cogita deixar o PL após ser preterida em negociações e receber convites de outras siglas.

 

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Nos bastidores, o clima é de tensão. A ordem de lançar candidatos próprios, se mantida sem exceções, promete implodir alianças regionais e transformar a eleição de 2026 num teste de força interno do bolsonarismo — com risco real de racha em palanques estratégicos pelo país. 

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