Fragmento amazônico reúne nascentes, igarapés e espécies nativas, além de servir como espaço para pesquisas e atividades acadêmicas
Quem circula pela Avenida Rodrigo Otávio, em Manaus, pode observar parte da extensa área de floresta que integra o Campus Senador Arthur Virgílio Filho, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Escondido entre prédios, ruas e bairros da capital, o fragmento possui aproximadamente 700 hectares, área equivalente a cerca de 980 campos de futebol.
Completamente inserida na zona urbana, a floresta reúne trechos de vegetação amazônica, nascentes, igarapés e uma variedade de espécies da fauna e da flora. O fragmento faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA) Manáos, localizada entre regiões urbanizadas dos bairros Japiim, Coroado, São José e Distrito Industrial, além dos conjuntos Nova República e Eliza Miranda.
As Áreas de Proteção Ambiental têm como finalidade preservar características naturais e a biodiversidade, conciliando a conservação ambiental com a presença e as atividades humanas. No caso da floresta da Ufam, a gestão envolve a universidade e o poder público municipal.
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Segundo o diretor do Centro de Ciências do Meio Ambiente da Ufam, o professor e engenheiro florestal André Mendonça, a preservação do fragmento desempenha um papel importante no equilíbrio ambiental da cidade.
A cobertura vegetal contribui para a regulação do microclima, ajudando a reduzir temperaturas e manter a umidade do ar. As nascentes e os igarapés também participam da formação de microbacias hidrográficas que atravessam diferentes áreas de Manaus. A vegetação auxilia ainda na redução de processos como erosão e assoreamento.
A área possui tanto trechos de floresta ombrófila de baixio, caracterizados por terrenos mais baixos e úmidos, quanto regiões de terra firme, que não sofrem alagamentos periódicos. A floresta também contribui para o armazenamento de carbono por meio da biomassa vegetal e para a filtragem de poluentes presentes na atmosfera.
Mesmo cercado pela expansão urbana, o fragmento abriga espécies características da fauna amazônica. Entre os animais registrados estão preguiças, pacas, macacos e o sauim-de-coleira. Os igarapés também possuem espécies de crustáceos de água doce, como camarões e caranguejos.
Levantamentos realizados nas trilhas da área identificam ainda uma diversidade de árvores, palmeiras e insetos. Parte desse patrimônio biológico é registrada em trabalhos de divulgação científica, como a publicação Fauna e Flora da Universidade Federal do Amazonas, editada pela própria universidade.
Além de contribuir para a conservação ambiental, a floresta funciona como um importante espaço de ensino e pesquisa. Diferentes unidades da Ufam utilizam a área em atividades acadêmicas, entre elas a Faculdade de Ciências Agrárias e o Instituto de Ciências Biológicas.
Pesquisadores e estudantes de áreas como Geografia, Geologia, Engenharia Civil, Engenharia Ambiental, Antropologia, Ciências Sociais, Administração e Comunicação também desenvolvem projetos relacionados ao fragmento. O local permite o estudo de espécies, processos ecológicos e da relação entre a floresta e o ambiente urbano.
Apesar da importância ambiental e científica, a área enfrenta desafios relacionados ao isolamento provocado pela urbanização. Cercado pela cidade e com pouca conexão com outros fragmentos de vegetação, o espaço fica mais vulnerável aos chamados efeitos de borda e à perda de conectividade ecológica.
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A pressão de ocupações irregulares no entorno também representa uma ameaça à conservação. Para a administração da Ufam e o poder público, a manutenção da floresta exige ações permanentes de proteção e monitoramento para garantir a preservação de um dos maiores fragmentos de vegetação amazônica inseridos na área urbana de Manaus.