Incêndio atinge prédio residencial em Manaus
O pesadelo vivido por dezenas de famílias no Residencial Viver Melhor 3, localizado no bairro Monte das Oliveiras, zona Norte de Manaus, ganhou novos contornos de revolta. Quase um mês após o incêndio devastador que atingiu o Bloco 5 no dia 9 de agosto — marcado por cenas de desespero, resgate dramático de bebê pela janela e a morte de um animal de estimação —, a grande maioria dos moradores segue abandonada pelo poder público, sem conseguir voltar para casa e sem receber o auxílio-moradia emergencial.
Diante do cala-boca institucional e do fim dos prazos legais sem qualquer solução, a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) teve que intervir e acionar a Justiça para obrigar o Estado e o Município a garantirem a dignidade das vítimas.
O estrago provocado pelas chamas na caixa de energia do térreo e nas estruturas do prédio foi brutal. Relatórios preliminares da Defesa Civil já haviam acendido o sinal vermelho sobre a fragilidade da edificação, levantando dúvidas alarmantes sobre a estabilidade de pilares, vigas e lajes submetidos a temperaturas extremas.
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Enquanto o perigo de desabamento ronda o local, das 16 famílias diretamente atingidas e desalojadas, apenas cinco receberam algum tipo de suporte mínimo até agora, deixando os demais à própria sorte, dormindo de favor ou enfrentando enormes dificuldades financeiras.
A ação judicial movida pela Defensoria cobra providências imediatas:
Auxílio-moradia emergencial imediato para todas as 16 famílias desabrigadas;
Laudo técnico estrutural completo em até 72 horas para atestar se o bloco realmente tem condições de ser habitado ou se precisará ser demolido;
Aplicação de multa diária correspondente a 1% do valor da causa (fixado em impressionantes R$ 3,27 milhões) caso os órgãos públicos e concessionárias continuem descumprindo as ordens.
O incêndio que transformou o Viver Melhor 3 em cenário de guerra ocorreu em plena luz do dia, mobilizando dezenas de bombeiros e milhares de litros de água. Imagens chocantes mostraram moradores arriscando a própria vida para salvar vizinhos pelas janelas com auxílio de escadas.
Na ocasião, dezoito pessoas precisaram ser socorridas e levadas às pressas para unidades de saúde da rede pública, enquanto dezenas de famílias perderam absolutamente tudo o que tinham construído.
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Enquanto a burocracia emperra e o poder público empurra a responsabilidade, os moradores seguem cobrando justiça e uma resposta rápida para não continuarem vivendo ao relento.