Justiça entendeu que servidor atuava como “facilitador” de grupo criminoso, enquanto defesa recorre da sentença.
Um funcionário da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Valinhos foi condenado a sete anos e seis meses de prisão por integrar, segundo a Justiça, uma organização criminosa armada ligada a um ataque a carro-forte ocorrido no interior paulista. A sentença foi proferida pela 2ª Vara Criminal de Franca e ainda cabe recurso.
O condenado, Marcos Vinicius Cavalcanti Pereira da Silva, de 26 anos, foi responsabilizado por facilitar o atendimento médico a um dos suspeitos do crime, baleado durante a ação. Para a acusação do Ministério Público de São Paulo, ele atuava como “facilitador médico” do grupo criminoso, tese contestada pela defesa, que afirma que o funcionário agiu de boa-fé e sem conhecimento da origem do ferimento.
O caso está ligado a um ataque a carro-forte ocorrido em 9 de setembro de 2024, no km 381 da Rodovia Cândido Portinari, em Franca. Na ocasião, criminosos fortemente armados bloquearam a pista com um caminhão-pipa e atacaram o veículo da empresa Protege com disparos de armas de grosso calibre. Três vigilantes ficaram feridos.
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A quadrilha chegou a explodir o cofre do carro-forte, mas o incêndio provocado destruiu todo o dinheiro transportado, impedindo a subtração de valores. Durante a fuga, houve confrontos com a Polícia Militar, que deixaram um policial ferido, viaturas danificadas e um trabalhador de empresa de energia baleado.
Dois dias depois, novos confrontos com policiais do 11º BAEP resultaram em cinco mortes — três suspeitos, um policial e um civil — além de danos a viaturas e veículos.
ATENDIMENTO MÉDICO SOB SUSPEITA
Entre os envolvidos no ataque estava Roberto Marques Trovão Lafaeff, conhecido como “Fofinho”, que foi baleado no pé por disparo de fuzil durante o crime. No dia seguinte, ele procurou atendimento na UPA de Valinhos.
Segundo a investigação, o funcionário foi acionado pelo suspeito e, mesmo estando de folga, deslocou-se até a unidade para ajudá-lo a conseguir atendimento sem passar pela triagem. Ele também teria enviado mensagem a uma médica plantonista perguntando se poderia atender o ferido mediante a promessa de um “bônus”.
A equipe médica identificou que a lesão era compatível com disparo de arma de fogo de grosso calibre e incompatível com a versão apresentada pelo suspeito. O homem acabou preso em flagrante após apresentar documentos falsos.
CONDENAÇÃO E DIVERGÊNCIAS
O Ministério Público sustentou que o funcionário tinha conhecimento da origem criminosa do ferimento e utilizou sua influência administrativa para garantir o atendimento. A Justiça acolheu a tese e concluiu que ele não prestou um favor isolado, mas atuou de forma estratégica para o grupo.
O juiz também apontou que a ação foi previamente coordenada e que o acusado demonstrou “frieza e dissimulação”. Apesar disso, ele foi absolvido da acusação de corrupção ativa, pois a mensagem sobre “bônus” foi enviada após o atendimento, não configurando crime.
Desde dezembro de 2024, Marcos está preso no Centro de Detenção Provisória de Itapecerica da Serra.
DEFESA RECORRE
A defesa recorreu da decisão, alegando perseguição midiática e ausência de provas de vínculo com a quadrilha. O advogado afirma que não foram encontrados armas, registros ou contatos com outros suspeitos, além da ligação do ferido pedindo ajuda, e sustenta que o cliente agiu por motivos humanitários.
Familiares também defendem a inocência do funcionário e relatam impactos emocionais da prisão na família, especialmente no filho de seis anos do condenado. O caso segue em tramitação na Justiça.
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