Contrato superior a R$ 14 milhões levanta questionamentos sobre valores acima do mercado e concentração de despesas
A Prefeitura de Iranduba, município localizado na região metropolitana de Manaus, está no centro de questionamentos após a homologação de uma ata de registro de preços que prevê gastos de mais de R$ 14,3 milhões com merenda escolar. Embora o investimento possa beneficiar os mais de 17 mil alunos da rede municipal, análises indicam possíveis sobrepreços em diversos itens básicos.
O valor consta na Ata de Registro de Preços nº 006/2026, resultado do Pregão Eletrônico nº 004/2026, com validade de 12 meses. Parte dos recursos será proveniente do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), enquanto o restante deverá ser custeado pelo próprio município.
Considerando todos os estudantes, incluindo creches, Educação de Jovens e Adultos (EJA) e Educação Especial, o custo anual por aluno pode chegar a cerca de R$ 820 valor que chama atenção diante dos preços praticados no mercado.
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Um levantamento comparativo aponta que diversos produtos foram registrados com valores significativamente superiores aos encontrados no atacado e varejo. O óleo de soja, por exemplo, aparece cotado a R$ 299,99 por caixa, enquanto no mercado varia entre R$ 160 e R$ 220. Já o café foi fixado em R$ 545 por fardo, quando a média gira entre R$ 300 e R$ 400.
Outros itens também apresentam diferenças expressivas, como bolacha cream cracker, extrato de tomate e carnes. Em alguns casos, o sobrepreço pode chegar a até 80%, mesmo considerando os custos logísticos típicos da região amazônica.
Além dos valores elevados, chama atenção a concentração de gastos em determinados produtos. As carnes, por exemplo, somam mais de R$ 5,3 milhões em contratos, enquanto o leite em pó ultrapassa R$ 1,9 milhão e as polpas de frutas superam R$ 1,8 milhão. Os pães também representam parcela relevante, com mais de 725 mil unidades adquiridas e despesas acima de R$ 835 mil.
Os fornecedores incluem empresas sediadas tanto em Manaus quanto no próprio município de Iranduba, responsáveis pelo fornecimento dos gêneros alimentícios previstos na ata.
Apesar dos valores elevados, especialistas lembram que a ata de registro de preços não obriga a compra imediata de todos os itens, funcionando como um instrumento que estabelece preços e condições para aquisições futuras, conforme a demanda da administração pública.
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Ainda assim, os números e discrepâncias levantadas reforçam a necessidade de maior fiscalização sobre os contratos, especialmente quando envolvem recursos públicos destinados à alimentação de estudantes.