Proposta enviada ao STF busca consolidar entendimento de que benefícios fiscais e aumento de despesas exigem estimativa de impacto e medidas de compensação.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, encaminhou ao presidente da Corte, Edson Fachin, uma proposta de súmula para consolidar o entendimento sobre a constitucionalidade de leis que geram impacto nas contas públicas sem previsão orçamentária ou compensação financeira.
A iniciativa pretende estabelecer que normas que criem despesas obrigatórias, concedam benefícios fiscais ou provoquem renúncia de receitas sem estimativa prévia do impacto financeiro e sem indicar fontes de compensação sejam consideradas inconstitucionais.
A proposta foi apresentada após uma reunião entre Gilmar Mendes, Edson Fachin e o ministro da Fazenda, Dario Durigan. No encontro, o representante da equipe econômica manifestou preocupação com a aprovação, pelo Congresso Nacional, de projetos com elevado impacto fiscal, conhecidos como "pautas-bomba".
Veja também

PGR defende manutenção da Lei da Dosimetria e se posiciona contra suspensão no STF
''Minha relação com Vorcaro é praticamente zero'', diz Jaques Wagner após citações em investigação
Se aprovada pelo plenário do STF, a súmula servirá como orientação para julgamentos em todo o país e deverá ser observada pelos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário nas esferas federal, estadual e municipal.
O texto proposto reforça que o artigo 113 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, em conjunto com a Lei de Responsabilidade Fiscal, exige que toda criação ou ampliação de despesas públicas, bem como concessões de incentivos fiscais, seja acompanhada de estimativa do impacto orçamentário e da indicação das respectivas medidas compensatórias.
A proposta ainda será analisada pelos demais ministros do Supremo Tribunal Federal e poderá sofrer alterações antes de uma eventual aprovação.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
A discussão ocorre em meio ao debate sobre projetos aprovados pelo Congresso com potencial de elevar os gastos públicos. Na última semana, por exemplo, o Senado aprovou uma proposta que autoriza a renegociação de dívidas de produtores rurais afetados por eventos climáticos e geopolíticos, medida cujo impacto fiscal pode alcançar R$ 140 bilhões ao longo de dez anos.