Usina de mineradora Serra Verde, no norte de Goiás. Empresa, controladas por fundos americanos, é a única que produz terras-raras no Brasil
O memorando assinado pelo governador Ronaldo Caiado com o governo dos Estados Unidos durante fórum em São Paulo para cooperação em minerais críticos e terras raras gerou desconforto em Brasília. Em ano eleitoral e pré-candidato à Presidência, Caiado se antecipou, segundo avaliação de interlocutores, sem aguardar a definição de uma política nacional pelo Executivo e pelo Congresso.
O documento prevê apoio americano a pesquisas, capacitação técnica, levantamentos geológicos e estímulo a um ambiente regulatório competitivo para atrair investimentos no setor mineral em Goiás. Para o diretor-executivo do Instituto Mauro Borges de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (IMB), Erik Figueiredo, o memorando não invade competências da União e se concentra no desenvolvimento econômico estadual a partir da mineração.
Segundo Figueiredo, o foco do projeto é agregar valor à produção mineral em Goiás, estruturando políticas que gerem impacto direto nas regiões produtoras. A preocupação de Brasília com o compartilhamento de dados geológicos com os EUA, explicou, foi interpretada de forma equivocada: as informações serão públicas ao fim dos estudos e compartilhadas com agências federais.
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O memorando também prevê formação de mão de obra, tecnologia e etapas como separação de elementos de terras raras, produção de ligas metálicas e bens industriais mais complexos. Figueiredo ressaltou que Goiás busca atrair investimentos e estruturar a cadeia produtiva sem ultrapassar suas competências, enquanto a União mantém a autorização da exploração e os municípios lidam com os impactos locais.
O estado já assinou acordo semelhante com o Japão e negocia parceria com a Coreia do Sul. Para o presidente do Instituto Brasileiro de Mineração, Pablo Cesário, a discussão sobre minerais críticos ainda está em construção e iniciativas estaduais podem contribuir, desde que respeitem as competências federativas. Cesário destacou que financiamento, definição de preços mínimos e garantia de compra são fundamentais para dar previsibilidade a investimentos no setor.
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O Ministério de Minas e Energia não se manifestou sobre o acordo, e interlocutores da diplomacia afirmaram que o tema está em debate entre diferentes órgãos do governo.