Anúncio ocorre após troca de acusações entre Bombeiros e Ibama sobre a ajuda federal; Ministério do Meio Ambiente afirma que equipes foram mobilizadas, mas o governo estadual dispensou parte do apoio após chuvas no fim de setembro
O Governo Federal anunciou, nesta sexta-feira (9), o envio de seis aeronaves e 290 brigadistas para reforçar o combate aos incêndios florestais no Amazonas. A medida foi divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) em meio a uma troca de acusações entre o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) sobre a assistência prestada ao estado.
De acordo com o ministério, a estrutura prevista inclui quatro aviões do modelo Air Tractor, utilizados no lançamento de água sobre áreas atingidas pelo fogo, além de dois helicópteros. O MMA informou ainda que o Ibama já extinguiu 229 incêndios no Amazonas desde o início da temporada e segue atuando no combate a outros 20 focos ativos.
O anúncio ocorreu horas depois de o comandante do CBMAM, coronel Orleilso Muniz, afirmar que havia recebido uma resposta negativa a um pedido de apoio aéreo encaminhado em setembro. Em contrapartida, o superintendente do Ibama no Amazonas, Joel Araújo, declarou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia destinado R$ 45 milhões para ações de prevenção e combate aos incêndios.
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Na manifestação oficial, o MMA explicou que a solicitação de apoio estadual chegou ao Centro Integrado Multiagência de Coordenação Operacional Federal (Ciman Federal), coordenado pelo Ibama, em 23 de setembro. Após o recebimento do pedido, foram acionados combatentes do Projeto de Resposta em Ações Integradas para Atuação em Situações de Desastres (Respad) e uma aeronave vinculada ao Projeto de Gerenciamento de Aeronaves para Situações de Urgência e Socorro (Pegasus).
Segundo o ministério, no entanto, o Governo do Amazonas informou, em 30 de setembro, que não precisava mais do apoio da equipe do Respad. A decisão teria ocorrido após chuvas contribuírem para o controle dos focos de incêndio. Com isso, os brigadistas federais foram dispensados antes de seguirem para a atuação em campo.
PEDIDO DE AERONAVES TERMINOU EM RESPOSTA NEGATIVA
Documentos divulgados pelo comandante dos Bombeiros na noite desta sexta-feira mostram que o governo estadual solicitou aeronaves para reforçar o combate ao fogo, mas recebeu uma resposta apontando a indisponibilidade de equipamentos para a operação.
Conforme o histórico apresentado pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), o CBMAM formalizou, em 18 de setembro, um pedido para a locação de duas aeronaves destinadas ao combate a incêndios florestais. A solicitação previa também o fornecimento de combustível e pilotos, com atuação planejada entre setembro e novembro.
O pedido passou por avaliação e, em 24 de setembro, a Sedec recomendou o acionamento do protocolo Pegasus, utilizado para mobilizar aeronaves públicas em situações de urgência e socorro.
Em resposta encaminhada nesta sexta-feira (9), o Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que consultou nove unidades aéreas públicas, mas nenhuma apresentava condições operacionais para cumprir a missão naquele momento. Entre os motivos apontados estavam aeronaves em manutenção, falta de tripulações disponíveis, restrições de deslocamento ou de horas de voo e ausência de equipamentos específicos para o combate aéreo a incêndios.
Diante da indisponibilidade, a Sedec encaminhou ao Ministério da Defesa, no fim desta sexta-feira, uma solicitação para disponibilizar duas aeronaves destinadas ao combate a incêndios florestais. Até a divulgação das informações, o governo aguardava uma resposta sobre o atendimento do pedido.
GOVERNO CITA INVESTIMENTO DE R$ 45 MILHÕES
O Ministério do Meio Ambiente também destacou o projeto ProAmazon, apoiado pelo Fundo Amazônia com R$ 45 milhões para fortalecer a estrutura do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas e financiar ações de prevenção e combate a incêndios florestais e queimadas não autorizadas.
Segundo a pasta, os pagamentos relacionados ao projeto foram realizados em janeiro de 2025 e março de 2026.
O ministério acrescentou que orientou o governo estadual a solicitar recursos por meio do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (SINPDEC), mecanismo que permite ampliar a capacidade de resposta a situações de emergência. De acordo com a nota, até o momento, o Amazonas não havia formalizado esse pedido.
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A discussão sobre o apoio federal ocorre em meio ao agravamento da crise provocada pela fumaça dos incêndios no estado. Nesta sexta-feira, Manaus registrou índices de qualidade do ar classificados como péssimos em diferentes zonas da cidade, segundo dados da plataforma Selva, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).