Empenho ocorreu no mês de abril. No decorrer das últimas semanas, governo tentou evitar rejeição do nome indicado para vaga no STF
Às vésperas da sabatina de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou a liberação de emendas parlamentares, em um movimento interpretado como tentativa de fortalecer sua base no Congresso Nacional.
De acordo com dados orçamentários, o volume de recursos empenhados cresceu rapidamente nos dias que antecederam a avaliação do indicado. Estimativas apontam que o total liberado ou reservado pode chegar a cerca de R$ 12 bilhões nesse período recente, dentro de um montante ainda maior que vem sendo executado ao longo do ano.
As emendas parlamentares são verbas previstas no Orçamento que deputados e senadores podem destinar a projetos em suas bases eleitorais, como ações nas áreas de saúde, infraestrutura e assistência social. No entanto, o ritmo de liberação desses recursos costuma variar conforme o contexto político — e, neste caso, houve uma aceleração significativa justamente antes da sabatina.
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Levantamentos também mostram que apenas em abril houve um direcionamento relevante de recursos para senadores da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), responsável por analisar a indicação. Cerca de R$ 890 milhões foram empenhados para integrantes do colegiado, o que reforçou a percepção de articulação política intensa nos bastidores.

Foto: Reprodução
Apesar das críticas, especialistas destacam que o empenho de emendas não é ilegal. Trata-se de uma etapa formal do orçamento público, em que o governo reserva valores para pagamento futuro. Ainda assim, o momento em que esses recursos são liberados costuma gerar debate, principalmente quando coincide com votações importantes no Congresso.
Nos bastidores de Brasília, a movimentação foi vista como parte da estratégia do governo para garantir apoio à indicação de Messias, que enfrentava resistências no Senado. A aprovação exigiria maioria simples na comissão e, posteriormente, pelo menos 41 votos no plenário da Casa.
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O episódio evidencia como a relação entre Executivo e Legislativo no Brasil continua fortemente baseada em negociações políticas e na distribuição de recursos orçamentários. A liberação de emendas, embora prevista em lei, segue sendo um dos principais instrumentos de articulação do governo em momentos decisivos.