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Greve de fome entra no 5º dia em Caracas enquanto Parlamento debate anistia a presos políticos
Foto: Reprodução

A greve de fome realizada por familiares de presos políticos chegou ao quinto dia nesta quarta-feira e segue chamando atenção para a crise humanitária e política no país. Debaixo de uma lona vermelha, cinco mulheres permanecem deitadas em colchões espalhados pelo asfalto, visivelmente debilitadas, enquanto um quadro branco marca as horas acumuladas do protesto iniciado em 14 de fevereiro.

 

O movimento acontece às vésperas da retomada do debate na Assembleia Nacional da Venezuela sobre uma lei de anistia considerada limitada por especialistas.

 

Narwin Gil, parente de um detento mantido em uma cela da Polícia Nacional conhecida como Zona 7, afirmou que seguirá em greve “até o corpo não aguentar mais”.

 

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— Estamos exigindo liberdade para todos os presos políticos, porque eles não são criminosos — disse. A proposta, promovida pela presidente interina Delcy Rodríguez, ainda enfrenta resistência dentro do Parlamento. O debate foi suspenso na semana passada após divergências sobre um artigo que, da forma como está redigido, não garante a libertação imediata de todos os detidos.

 

Delcy governa sob forte pressão internacional após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar realizada no início de janeiro. Os grevistas, no entanto, deixam claro que não querem esperar pela burocracia.

 

— Não estamos à espera de uma lei de anistia. Estamos à espera da liberdade dos nossos familiares — reforçou Gil. O ex-ministro da Saúde Rafael Arreaza visitou os manifestantes e alertou para os riscos.

 

— Após mais de 100 horas sem comer, os efeitos no corpo são muito claros. Já precisei retirar uma mulher da greve por causa de uma crise hipertensiva grave — afirmou. O próprio Gil contou que quase desmaiou durante o protesto, sentindo frio intenso e aceleração dos batimentos cardíacos.

 

Arreaza disse ainda que tenta negociar o fim da greve em troca de autorização para entrar nas prisões e avaliar a saúde dos presos políticos. A chamada Lei de Anistia para a Convivência Democrática prevê libertações em massa de detidos ao longo dos últimos 27 anos, desde a chegada de Hugo Chávez ao poder, em 1999.

 

O texto, porém, limita a anistia a períodos específicos marcados por crises políticas, como:

-a tentativa de golpe de 2002

-a greve do petróleo

-protestos de 2007, 2014, 2017, 2019 e 2024

 

Além disso, o Artigo 7 exige que os beneficiados se apresentem à Justiça, o que pode obrigar exilados a retornarem ao país — incluindo a líder opositora María Corina Machado — correndo risco de prisão antes mesmo de terem direito à anistia.

 

Apesar de o chavismo ter maioria para aprovar a lei, tenta costurar apoio da oposição, já que a grande discussão é se os libertados serão reconhecidos como vítimas de perseguição política ou apenas como criminosos perdoados.

 

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Enquanto isso, nas ruas de Caracas, familiares seguem em jejum, fracos e desesperados, transformando o asfalto em palco de resistência — e esperando que a pressão popular acelere decisões que podem mudar o destino de centenas de presos.  

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