Os profissionais não apresentaram sintomas, e um deles trabalhava apenas em estados onde nenhuma infecção em laticínios havia sido relatada
Três veterinários de laticínios, incluindo um que trabalhou apenas em estados sem surtos conhecidos de gripe aviária em vacas, tiveram infecções recentes e não detectadas de gripe aviária, de acordo com um novo estudo dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Os resultados são baseados em testes de anticorpos de 150 veterinários trabalhando em 46 estados dos EUA.
As descobertas não são totalmente surpreendentes, de acordo com especialistas, mas sugerem que o vírus, conhecido como H5N1, pode estar infectando vacas e pessoas em mais estados do que o relatado oficialmente.
— Não sabemos a extensão desse surto nos EUA. Há claramente infecções acontecendo que estamos ignorando — afirma Seema Lakdawala, virologista da Emory University.
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Desde que o surto de gripe aviária em vacas leiteiras foi relatado pela primeira vez em março passado, o vírus foi confirmado em mais de 950 rebanhos em 16 estados. Também foi detectado em 68 pessoas, 41 das quais tiveram contato com vacas doentes. A maioria das pessoas apresentou sintomas leves.
O novo estudo, que foi publicado no Relatório Semanal de Morbidade e Mortalidade do CDC, estava inicialmente programado para publicação há várias semanas, mas foi adiado pela pausa do governo Trump nas comunicações públicas de agências de saúde e ciência.
— É importante para a preparação da saúde pública que tenhamos esses dados — ressalta Nahid Bhadelia, diretor do Centro de Doenças Infecciosas Emergentes da Universidade de Boston.
O estudo foi conduzido em uma conferência veterinária em setembro passado; os veterinários participantes atuaram em 46 estados diferentes, assim como no Canadá. Dos 150 veterinários inscritos no estudo, 25 deles relataram ter trabalhado com vacas que eram conhecidas por terem ou suspeitavam de ter gripe aviária.
Três dos veterinários testaram positivo para anticorpos para o vírus. Nenhum desses três veterinários relatou ter trabalhado com vacas que se acreditava terem gripe aviária.
Um deles havia trabalhado com aves infectadas, mas nenhum deles se lembrava de quaisquer sintomas semelhantes aos da gripe. Um dos veterinários trabalhou com vacas apenas na Geórgia e na Carolina do Sul, estados que não relataram nenhum rebanho afetado.
— Acho que todos nós suspeitamos que há muitos outros estados, potencialmente, onde o vírus está presente e não está sendo detectado — observa Bhadelia.
Para Lakdawala, foi uma surpresa que nenhum dos 25 veterinários que sabiam que tinham trabalhado com vacas infectadas tinha testado positivo para anticorpos.
— Mas é possível que aqueles que sabiam que estavam trabalhando com animais infectados estivessem tomando mais precauções — afirma ela.Nenhum dos três veterinários que testaram positivo para anticorpos relatou usar máscaras ou óculos de proteção. Tais precauções não são recomendadas ao trabalhar com animais saudáveis ??em regiões não afetadas, observa o estudo.
Segundo Lakdawala, ainda não está claro como os veterinários estão sendo infectados, e os veterinários podem ter menos contato com o leite contaminado com o vírus do que os trabalhadores da fazenda que passam os dias nas salas de ordenha.
— Os veterinários com quem conversamos nessas fazendas estão envolvidos em todos os aspectos do cuidado desses animais. Eles estão por todas essas vacas, olhando para tudo — afirma.As descobertas destacaram a necessidade de muito mais testes, disseram especialistas, incluindo testes de trabalhadores de laticínios assintomáticos e veterinários de bovinos, bem como testes expandidos do suprimento de leite do país.
O Departamento de Agricultura dos EUA anunciou um programa nacional para testar amostras de leite em massa em dezembro. Em 7 de fevereiro, 40 estados estavam inscritos e conduzindo testes ativamente. Em Nevada, os testes em massa de leite revelaram recentemente que rebanhos leiteiros foram infectados com uma nova versão do vírus, diferente daquela que estava se espalhando em vacas leiteiras no ano passado.
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— Os estados que não adotaram testes de leite a granel devem fazer isso, mas não presumir que, por não terem rebanhos infectados relatados, eles têm um pouco de margem de manobra — indica Bhadelia.Quando o estudo foi realizado no outono passado, o vírus foi detectado em rebanhos leiteiros em 14 estados, bem como em 14 pessoas, quatro das quais tiveram contato com vacas leiteiras.
Fonte: O Globo