O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, fez um alerta direto à população da ilha para que se prepare diante da possibilidade de uma eventual invasão dos Estados Unidos, em meio às recentes ameaças feitas pelo presidente norte-americano Donald Trump. O território autônomo, que pertence à Dinamarca, tem cerca de 50 mil habitantes e ocupa uma posição estratégica no Ártico.
Durante entrevista coletiva concedida nesta terça-feira (20), em Nuuk, capital da Groenlândia, Nielsen afirmou que o governo local está revisando planos de preparação civil, apesar de considerar pouco provável o uso de força militar por parte dos Estados Unidos.
— “O líder do outro lado já deixou claro que essa possibilidade não está descartada. Precisamos estar preparados para tudo o que possa acontecer. A Groenlândia faz parte da Otan, e qualquer escalada teria consequências para o mundo todo”, declarou o premiê.
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Como medida preventiva, Nielsen pediu que a população estoque alimentos para pelo menos cinco dias e fique atenta aos comunicados oficiais. Ele ressaltou ainda que o Estado dinamarquês tem responsabilidades que vão além da área militar, envolvendo também defesa civil e segurança pública.
— “Mesmo tendo assumido quase tudo, intensificamos o trabalho conjunto com o Estado dinamarquês”, reforçou. O primeiro-ministro também confirmou que haverá aumento da presença militar nos próximos dias, em razão da crescente tensão no Ártico. Segundo ele, países aliados já intensificam exercícios e reforços no setor de defesa.
TRUMP REFORÇA INTERESSE NA GROENLÂNDIA
Ainda nesta terça-feira, Donald Trump voltou a falar sobre o tema e afirmou que Estados Unidos e Otan chegarão a um acordo sobre o futuro da Groenlândia. O presidente reiterou que não pretende recuar do objetivo de controlar o território.
— “Vamos chegar a algo que deixe a Otan e os Estados Unidos muito felizes. Precisamos disso por segurança”, afirmou Trump, acrescentando que a aliança não seria forte sem os EUA.
UNIÃO EUROPEIA REAGE E PODE CONGELAR ACORDO COM OS EUA
As ameaças de Trump também provocaram forte reação na Europa. O Parlamento Europeu deve anunciar oficialmente nesta quarta-feira (21) o congelamento do acordo comercial firmado com os Estados Unidos em julho de 2025.
A medida surge após Trump ameaçar taxar em 10% produtos de países europeus que não apoiem o plano de anexação da Groenlândia. A decisão foi confirmada por Iratxe García Pérez, líder do grupo S&D, segunda maior bancada do Parlamento Europeu.
Em julho do ano passado, EUA e União Europeia haviam fechado um acordo na Escócia, fixando tarifas em 15%, abaixo dos 30% inicialmente propostos por Trump. No entanto, no último sábado (17), o presidente norte-americano anunciou novas tarifas a partir de 1º de fevereiro, podendo chegar a 25% para países que não apoiarem seus planos.
O presidente do Partido Popular Europeu (PPE), Manfred Weber, afirmou nas redes sociais que, diante das ameaças, um acordo com os Estados Unidos se tornou inviável neste momento.
— “As tarifas zero sobre produtos dos EUA devem ser suspensas”, escreveu. A França também se manifestou. O ministro das Relações Exteriores, Jean-Noel Barrot, declarou apoio à suspensão do acordo e classificou a postura de Trump como chantagem econômica.
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— “A ameaça de tarifas está sendo usada para obter concessões injustificáveis. A Comissão Europeia tem instrumentos poderosos para responder”, afirmou. O impasse aumenta a tensão diplomática internacional e coloca a Groenlândia no centro de uma crise geopolítica envolvendo Estados Unidos, Europa e a Otan.