O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi convocado pelo Palácio do Planalto para integrar a comitiva presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos, prevista para março. A participação deve provocar mais um adiamento na saída de Haddad do governo, inicialmente planejada para fevereiro.
A expectativa do Planalto é contar com Haddad nas negociações de um acordo de cooperação com o presidente americano, Donald Trump, especialmente nas áreas de segurança nacional e combate à lavagem de dinheiro.
O ministro já havia adiado seus planos após pedido direto de Lula para acompanhar a viagem presidencial à Índia e à Coreia do Sul, onde a comitiva se encontra atualmente.
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Nos bastidores, cresce a expectativa sobre o futuro político de Haddad: ele pode disputar o governo de São Paulo ou uma vaga no Senado — caso decida concorrer, precisa deixar o cargo até o início de abril. Haddad, porém, prefere atuar apenas na campanha pela reeleição de Lula. A visita à Casa Branca ainda não tem data confirmada, mas deve ocorrer em março.
Durante o encontro com Trump, Lula pretende reforçar o pedido de cooperação para investigar e prender grandes criminosos que atuam entre Brasil e Estados Unidos. Um dos principais alvos é o empresário Ricardo Magro, dono da Refinaria de Manguinhos, controlada pelo Grupo Refit.
Segundo a Polícia Federal, Magro é acusado de dar um calote de cerca de R$ 26 bilhões aos cofres públicos por meio de sonegação fiscal. Ele vive atualmente em Miami, na Flórida, e é suspeito de movimentar recursos via offshores em Delaware, considerado um paraíso fiscal americano. O empresário e a empresa negam irregularidades.
No fim do ano passado, Magro foi alvo de operação conjunta da PF com a Receita Federal. Desde então, Haddad passou a se consolidar como um dos principais porta-vozes do governo no combate ao crime organizado, defendendo que o tema entrasse de vez na pauta diplomática com os Estados Unidos.
Em dezembro, Lula chegou a conversar por cerca de 40 minutos por telefone com Trump e afirmou publicamente ter pedido a prisão do empresário.
— Disse ao presidente Trump que, se ele quiser enfrentar o crime organizado, estamos à disposição. Informei que um dos maiores devedores do Brasil mora em Miami — declarou Lula à época.
Neste domingo, durante coletiva em Nova Délhi, o presidente voltou a tocar no assunto:
— Já mandamos a foto da casa dele, o nome dele. Queremos essa pessoa no Brasil. Se é para combater o crime organizado, então nos entregue os nossos bandidos.
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A articulação internacional marca mais um capítulo da ofensiva do governo federal contra esquemas bilionários de sonegação e lavagem de dinheiro, enquanto Haddad segue com futuro político indefinido.