Reprodução/Andrius Banevicius
Francis Clifford Smith, considerado um dos homens que passou mais tempo sob custódia prisional na história dos Estados Unidos, morreu aos 101 anos em junho deste ano. Segundo a BBC News, ele passou mais de sete décadas encarcerado e morreu de causas naturais enquanto dormia, em uma unidade de cuidados médicos prolongados em Connecticut.
A história de Smith começou em 1949, quando tinha 25 anos e foi preso sob acusação de matar Grover Hart, vigia noturno de um clube náutico. Condenado inicialmente à pena de morte, ele escapou da execução em oito ocasiões após uma série de recursos e revisões judiciais.
Em um dos episódios mais marcantes, Smith chegou a receber sua última refeição enquanto aguardava no corredor da morte. Pouco antes da execução, porém, o procedimento foi suspenso pela Justiça. Posteriormente, a pena capital acabou sendo convertida em prisão perpétua.
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Ao longo das mais de sete décadas de encarceramento, a condenação foi cercada por dúvidas e controvérsias. Algumas testemunhas recuaram de declarações feitas anteriormente, enquanto outro detento chegou a confessar o assassinato pelo qual Smith havia sido condenado.
O próprio policial responsável pelo primeiro interrogatório também declarou, anos depois, que tinha dúvidas sobre a presença de Smith na cena do crime. As controvérsias alimentaram questionamentos sobre o caso, embora Smith tenha permanecido preso até o fim da vida.
Na prisão de Osborn, em Connecticut, Smith ficou conhecido pelo comportamento tranquilo e pelo hábito de guardar pedaços de pão nos bolsos para alimentar aves. A rotina fez com que recebesse o apelido de “Homem Pássaro” entre detentos e funcionários da unidade.

Foto: Reprodução/Jared Charney/The Boston Globe
Nos últimos anos, Smith passou a receber cuidados médicos intensivos em uma unidade especializada. Ele morreu enquanto dormia, aos 101 anos, após ter passado a maior parte da vida adulta dentro do sistema prisional.
A trajetória de Smith também se tornou um exemplo do envelhecimento da população carcerária nos Estados Unidos. O aumento do número de presos idosos tem provocado debates sobre as condições de saúde, os cuidados necessários e os custos de manutenção dessa parcela da população.
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Smith terminou a vida sem deixar definitivamente o sistema prisional. Sua história ficou marcada por uma condenação à morte, oito suspensões da execução, mais de 70 anos de encarceramento e questionamentos que permaneceram ao longo das décadas sobre o crime que o levou à prisão.