Baixo percentual é um problema histórico, já questionado em auditorias externas e do próprio órgão
O Ibama consegue receber apenas uma parcela dos valores aplicados em multas por infrações ambientais. Dados analisados mostram que somente 36% do total das multas aplicadas pelo órgão acabam efetivamente arrecadados, enquanto o restante permanece pendente de pagamento ou depende do andamento dos processos administrativos e judiciais.
A dificuldade de transformar as autuações em dinheiro efetivamente recolhido ocorre em diferentes etapas do processo. Depois da aplicação da multa, o autuado ainda pode apresentar recursos e questionamentos, o que pode prolongar por anos a conclusão do processo e a cobrança dos valores.
O problema envolve cifras elevadas. Em 2025, o Ibama aplicou 14.644 autos de infração, que somaram aproximadamente R$ 3,68 bilhões em multas. As autuações foram registradas em diferentes áreas de fiscalização ambiental, incluindo infrações relacionadas à flora, fauna e outras atividades que causam danos ao meio ambiente.
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Além da demora nos processos, outro mecanismo que interfere na arrecadação é a conversão de multas ambientais em serviços de preservação, recuperação e melhoria da qualidade do meio ambiente. O procedimento é previsto nas regras do Ibama e pode direcionar recursos para projetos ambientais, em vez de resultar no pagamento direto da multa aos cofres públicos.
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O Ibama mantém sistemas para acompanhar as autuações e os débitos decorrentes das infrações ambientais. O órgão também vem adotando mudanças no processo sancionador e na conversão das multas. Mesmo com o aumento das ações de fiscalização, a diferença entre o valor aplicado e o efetivamente recebido continua sendo um dos principais desafios para transformar as punições ambientais em recursos destinados à proteção do meio ambiente.