Especialista explica como tratar dor de costas pontual e quando é necessário buscar atendimento médico
A ideia de que uma dose maior de analgésico proporciona alívio mais rápido é um dos equívocos comuns no tratamento da dor. Segundo a farmacêutica Noemí Insua, do Colégio Oficial de Farmacêuticos de A Coruña, na Espanha, o ibuprofeno de 600 mg não acelera o alívio em comparação com doses menores, mas pode aumentar os efeitos adversos no estômago.
A especialista afirma que a escolha do medicamento e da dose deve levar em consideração a intensidade da dor, o estado de saúde do paciente, a idade e outros remédios utilizados.
DOR NAS COSTAS É UMA QUEIXA FREQUENTE
A dor nas costas está entre os problemas mais comuns relatados em farmácias e pode atingir pessoas de diferentes idades. Sedentarismo, longos períodos sentado, postura inadequada, traumas e lesões estão entre os fatores associados ao desconforto.
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Até pessoas que praticam atividades físicas regularmente podem apresentar problemas na coluna quando submetidas a esforços excessivos ou movimentos inadequados.
Por isso, a avaliação inicial deve considerar onde a dor está localizada, há quanto tempo começou, qual é a intensidade e se existem outros sintomas associados.
PARACETAMOL OU IBUPROFENO?
A escolha depende da origem e das características da dor. O ibuprofeno, por ser um anti-inflamatório, pode ser mais adequado quando há um processo inflamatório envolvido.
Já o paracetamol possui ação analgésica e não atua da mesma maneira sobre a inflamação. Ainda assim, nenhum dos medicamentos é indicado para todas as pessoas.
Idosos, gestantes, pessoas que utilizam anticoagulantes e pacientes que fazem uso de vários medicamentos precisam de atenção especial antes de utilizar anti-inflamatórios.
DOSE MAIOR NÃO SIGNIFICA EFEITO MAIS RÁPIDO
Um dos erros mais frequentes é acreditar que aumentar a concentração do medicamento fará a dor desaparecer mais rapidamente.
No caso do ibuprofeno, a farmacêutica explica que uma dose de 600 mg não necessariamente proporciona alívio mais rápido para dores leves ou moderadas. Em contrapartida, doses maiores podem aumentar o risco de efeitos adversos, especialmente no sistema digestivo.
A orientação é não aumentar a dose por conta própria e buscar orientação de um profissional de saúde quando houver dúvidas sobre o medicamento adequado.
CALOR OU FRIO: QUAL UTILIZAR?
O frio pode ser utilizado principalmente nas primeiras horas após traumas, como quedas e contusões, ajudando a reduzir a inflamação local. Quando gelo for utilizado, é importante protegê-lo com um tecido para evitar lesões na pele.
Já o calor pode ser útil em situações envolvendo tensão ou contração muscular. A aplicação local pode proporcionar relaxamento e aliviar o desconforto.
Também existem adesivos térmicos e produtos de aplicação local que podem ser utilizados em dores concentradas em determinadas regiões. A indicação, porém, depende da causa do problema.
REPOUSO ABSOLUTO NEM SEMPRE AJUDA
Em casos de dor nas costas, permanecer completamente parado pode não ser a melhor estratégia. Para quadros leves ou moderados, manter movimentos e atividades habituais dentro do limite tolerável pode contribuir para a recuperação.
Caminhadas e atividades leves ajudam a manter a musculatura ativa. Por outro lado, esforços que aumentem a dor devem ser evitados.
Casos específicos, como determinados problemas envolvendo nervos, podem exigir repouso temporário, mas essa decisão deve ser feita após avaliação de um profissional de saúde.
PRINCIPAIS ERROS NO TRATAMENTO
Além do uso de doses maiores de medicamentos por conta própria, outro erro é seguir recomendações de amigos ou familiares sem considerar que a causa da dor pode ser diferente.
Produtos ortopédicos, como tornozeleiras e outros dispositivos de suporte, também devem ser utilizados de acordo com a necessidade de cada pessoa. Em algumas situações, eles ajudam a manter movimentos e atividades, enquanto em outras podem não ser indicados.
COMO PREVENIR DORES NAS COSTAS
A prática regular de atividade física e exercícios de fortalecimento pode ajudar a proteger a musculatura e reduzir o risco de novos episódios de dor.
Manter-se ativo, evitar longos períodos na mesma posição e adotar hábitos posturais adequados também são medidas importantes para a saúde da coluna.
Em casos de dor persistente, entretanto, a prevenção deve vir acompanhada de avaliação profissional para identificar a origem do problema.
QUANDO PROCURAR UM MÉDICO
Dor muito intensa, início súbito ou piora progressiva são situações que merecem avaliação médica. A presença de sintomas associados, como febre ou perda de força muscular, também exige atenção.
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Nesses casos, apenas tomar analgésicos pode mascarar sinais importantes e atrasar o diagnóstico. A identificação da causa da dor é fundamental para definir o tratamento mais adequado.