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Infarto pode parecer indigestão ou cansaço; conheça os sintomas que exigem atendimento imediato
Foto: Divulgação

Dor no peito, falta de ar, suor frio e desconforto no estômago podem indicar um ataque cardíaco; especialistas alertam que cada minuto de atraso pode aumentar os danos ao coração.

Uma dor persistente no peito, mesmo quando parece leve, não deve ser ignorada. O desconforto pode ser um dos sinais de infarto agudo do miocárdio, uma emergência médica que exige atendimento rápido. O alerta de especialistas é que muitas pessoas demoram a procurar ajuda por acreditar que os sintomas são consequência de indigestão, estresse ou cansaço.

 

Segundo a cardiologista intervencionista Denise Pellegrini, diretora de Comunicação da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI), o tempo entre o início dos sintomas e o atendimento pode influenciar diretamente a extensão dos danos ao músculo cardíaco.

 

“O ideal é procurar socorro nos primeiros minutos. No infarto, quanto mais tempo a artéria permanece obstruída, maior é a quantidade de músculo cardíaco que pode ser lesionada. Por isso, diante de sintomas sugestivos, não devemos esperar para ver se eles desaparecem espontaneamente”, explica a médica.

 

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O QUE ACONTECE NO ORGANISMO DURANTE UM INFARTO

 

O infarto ocorre, na maioria dos casos, quando uma artéria coronária, responsável por levar sangue ao músculo cardíaco, fica obstruída. Isso geralmente acontece após a formação de um coágulo sobre uma placa de gordura presente na parede do vaso sanguíneo.

 

Com a circulação comprometida, o coração deixa de receber oxigênio em quantidade suficiente. Esse processo, conhecido como isquemia, pode provocar lesões progressivas no tecido cardíaco. Quanto mais tempo o fluxo sanguíneo permanecer interrompido, maior poderá ser a área afetada.

 

Por esse motivo, reconhecer os sintomas e procurar atendimento sem demora são medidas fundamentais para aumentar as possibilidades de tratamento e reduzir o risco de complicações.

 

SINTOMAS DE INFARTO VÃO ALÉM DA DOR NO PEITO

 

A dor ou pressão no centro do peito é um dos sinais mais conhecidos do infarto. Algumas pessoas descrevem a sensação como um aperto, peso ou compressão. Entretanto, as manifestações variam e nem sempre aparecem de maneira intensa ou evidente.

 

Entre os sintomas que também podem indicar um ataque cardíaco estão:

Dor ou desconforto em um ou nos dois braços.

Dor que se espalha para as costas, os ombros, o pescoço ou a mandíbula.

Desconforto na região do estômago, semelhante à indigestão.

Falta de ar.

Suor frio.

Náuseas ou vômitos.

Tontura ou sensação de desmaio.

Cansaço intenso e fora do habitual.

Mal-estar repentino e sensação de ansiedade.

 

A variedade de sinais pode dificultar a identificação do problema, especialmente quando não há uma dor forte no peito. Nesses casos, a pessoa pode atribuir o desconforto a problemas digestivos, estresse ou esforço físico e acabar adiando a procura por atendimento.

 

De acordo com Denise Pellegrini, alguns sintomas ainda são pouco reconhecidos pela população como manifestações de uma emergência cardíaca. Por isso, é importante não minimizar sinais novos, persistentes ou diferentes daqueles sentidos habitualmente.

 

QUANDO PROCURAR ATENDIMENTO MÉDICO

A recomendação é buscar ajuda imediatamente diante da suspeita de infarto, sem esperar que a dor se intensifique ou desapareça sozinha.

 

“Quanto mais cedo o paciente chega a um serviço de emergência, recebe o diagnóstico e, quando indicado, tem a artéria desobstruída, maiores são as chances de limitar o dano ao coração e reduzir complicações”, reforça a cardiologista.

 

No Brasil, a orientação é acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo número 192. Em uma possível emergência cardíaca, é preferível não dirigir o próprio veículo, pois o quadro pode se agravar durante o trajeto.

 

COMO O INFARTO É DIAGNOSTICADO

 

No hospital, a equipe médica avalia os sintomas, o histórico clínico e as condições do paciente. Um dos primeiros exames realizados costuma ser o eletrocardiograma (ECG), que registra a atividade elétrica do coração e pode identificar alterações associadas ao infarto.

 

Os profissionais também podem solicitar exames de sangue para medir a troponina, uma proteína que é liberada na circulação quando ocorre lesão do músculo cardíaco.

 

Conforme a situação, outros exames podem ser necessários para esclarecer o diagnóstico e avaliar a circulação coronária. Um detalhe importante é que nem todo infarto provoca alterações características no primeiro eletrocardiograma. Por isso, quando a suspeita permanece, a equipe pode repetir os exames e acompanhar a evolução clínica do paciente.

 

TRATAMENTO DEPENDE DA RAPIDEZ DO ATENDIMENTO

 

A escolha do tratamento depende do tipo de infarto e das condições clínicas de cada pessoa. Quando existe uma obstrução aguda de uma artéria coronária e há indicação de restabelecer rapidamente a circulação, uma das principais opções é a angioplastia coronária.

 

O procedimento é realizado por cateterismo, permitindo que a equipe localize a obstrução e restabeleça o fluxo sanguíneo. Em muitos casos, é implantado um stent, uma pequena estrutura que ajuda a manter a artéria aberta.

 

Medicamentos também podem ser utilizados para reduzir a formação de coágulos e controlar outras alterações relacionadas ao quadro. A escolha das terapias depende da avaliação médica e das características de cada caso.

 

A prioridade, quando indicada a desobstrução imediata, é recuperar o fluxo de sangue para o músculo cardíaco o mais rápido possível. A demora pode aumentar a extensão da lesão e favorecer complicações.

 

QUEM NÃO TEM FATORES DE RISCO TAMBÉM PODE SOFRER INFARTO

 

Hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, obesidade, sedentarismo e histórico familiar de doenças cardiovasculares estão entre os fatores associados ao aumento do risco de infarto.

 

Apesar disso, não apresentar essas condições conhecidas não significa estar totalmente protegido. Pessoas jovens, fisicamente ativas ou sem diagnóstico prévio de doença cardíaca também podem apresentar uma emergência cardiovascular.

 

Por isso, a identificação dos sintomas deve ter prioridade, independentemente da idade ou do histórico de saúde. Informações sobre prevenção e fatores de risco podem ser consultadas nos sites do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

 

Para a cardiologista Denise Pellegrini, informar a população sobre os sinais de alerta é essencial para reduzir atrasos no atendimento. Reconhecer os sintomas, não desconsiderar o mal-estar e buscar socorro rapidamente são atitudes que podem fazer diferença no desfecho de um infarto.

 

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Atenção: este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação médica. Em caso de suspeita de infarto, ligue para o Samu, no número 192, e não espere os sintomas desaparecerem. 

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