Ir para a cama cedo, jantar com antecedência, desligar o celular e praticar exercícios de relaxamento são algumas das recomendações para melhorar a qualidade do sono. No entanto, essas medidas nem sempre são suficientes para garantir uma boa noite de descanso.
A psicóloga especializada em medicina do sono Roser Gort afirma que as dificuldades para dormir podem estar relacionadas ao ritmo de vida, ao estresse e às preocupações acumuladas ao longo do dia. Em seu livro El sueño lo cura todo (Bruguera, 2026), ainda sem tradução para o português, a especialista defende que o descanso começa muito antes de a pessoa se deitar.
Segundo Gort, a rotina noturna não consegue compensar, sozinha, uma jornada marcada por excesso de atividades, preocupações e falta de pausas. Ela também chama atenção para a pressão que muitas pessoas sentem ao tentar cumprir a meta de oito horas de sono.
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A especialista explica que as necessidades de descanso variam de pessoa para pessoa e que pequenos despertares durante a noite fazem parte dos ciclos naturais do sono. Por isso, transformar as oito horas em uma obrigação pode aumentar a ansiedade e dificultar ainda mais o descanso.
Outro fator que merece atenção é o uso de telas. Para Gort, o problema não está apenas na luz emitida pelos dispositivos, mas também no conteúdo consumido, que pode manter o cérebro em estado de alerta e estimular a necessidade de continuar conectado.
O estresse também tem papel importante. A psicóloga recomenda identificar quais situações estão provocando preocupação, diferenciando problemas passageiros de questões que permanecem sem solução por semanas ou meses.
COMO IDENTIFICAR E LIDAR COM O PROBLEMA
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Foto: Reprodução
Entre os sinais de dificuldades para dormir estão demorar muito para adormecer, permanecer acordado por longos períodos durante a madrugada e despertar antes do horário programado, mesmo precisando de mais descanso.
Gort sugere observar os hábitos ao longo do dia, como a falta de pausas, a exposição à luz natural, a prática de caminhadas e o tempo dedicado à convivência com outras pessoas.
Uma das estratégias recomendadas é escrever sobre as preocupações. Colocar os pensamentos no papel pode ajudar a organizar as ideias, identificar os problemas e buscar soluções durante o dia, evitando que essas questões sejam levadas para a cama.
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A especialista ressalta que não é necessário tentar resolver tudo durante a madrugada. O importante é reservar momentos da rotina para reconhecer as preocupações e lidar com elas, sem transformar o ato de dormir em mais uma obrigação.