Nos últimos dias, os dois têm disputado espaço no cenário digital em busca de controlar as narrativas sobre os desvios de aposentados e pensionistas
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, trocaram farpas, em uma rede social, sobre a possível abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso com o objetivo de investigar as denúncias de descontos irregularidades em benefícios pagos pelo INSS. Nos últimos dias, os dois têm disputado espaço no cenário digital em busca de controlar as narrativas sobre o episódio.
Na publicação, o parlamentar afirmou que "quem deve, não teme", em alusão à reunião da ministra com lideranças de centro, na última segunda-feira, para apelar contra a realização da CPMI. Em resposta, Gleisi escreveu: "quem deve e teme investigação é Bolsonaro", de quem Nikolas é apoiador.
De acordo com a ministra, na reunião que ocorreu na residência oficial da Câmara dos Deputados, a implementação da CPMI pode atrapalhar a tramitação da proposta que aumenta a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem recebe até R$ 5 mil por mês e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que amplia a atuação do governo federal na segurança pública. Os projetos são considerados prioridade para o governo e, na visão de Gleisi, devem ser o foco dos parlamentares.
Veja também

Ministro Flávio Dino se irrita durante sessão no STF: 'Não admito me chamarem de ladrão'
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/v/b/yvldOZQISo5OFW6EI1XQ/post.png)
Nikolas e Gleisi trocam farpas sobre CPMI para investigar
fraudes em descontos no INSS (Foto: Reprodução/X)
Na postagem de Nikolas, a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) também respondeu na mesma linha da ministra: "quem deve e teme: Bolsonaro", escreveu. Na noite de quarta-feira, Gleisi já havia feito uma publicação em que respondeu ao vídeo de Nikolas, divulgado no mesmo dia, no qual ele acusa o governo Lula de não ter investigado os descontos irregulares. "Vamos desmascarar as mentiras que a oposição bolsonarista está espalhando nas redes", disse.
A ministra afirmou que as fraudes começaram, na verdade, durante o governo de Jair Bolsonaro, "sem que nada fosse feito para investigá-las", alegando que a maior parte das entidades investigadas começaram a atuar na gestão do ex-presidente.
"O governo está trabalhando para que o mais rápido possível essas entidades respondam pelo que fizeram e façam o ressarcimento devido aos aposentados. As quadrilhas e as associações fraudulentas terão de devolver tudo que roubaram", escreveu a ministra, que destacou as investigações já em andamento pela Polícia Federal e Advocacia-Geral da União (AGU).
A publicação de Gleisi, no entanto, alcançou somente cerca de 180 mil impressões. Já a de Nikolas, em que define o caso como o "maior escândalo de corrupção da história do país", ultrapassou 100 milhões de visualizações em 24 horas. O parlamentar tem sido marcado pelos vídeos virais e de grande repercussão, como o que fez sobre o monitoramento do Pix, e passou a ser considerado o porta-voz da direita radical nas redes.
SEM ASSINATURA DA BASE
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/i/1/3fToLHSYG93X37sepBkg/20231102-131441.jpg)
Prédio do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)
(Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
A mobilização para retirada de assinaturas da CPMI vem sendo feita por meio de conversas entre auxiliares de Lula e parlamentares. A ofensiva envolve a articulação política do Palácio do Planalto e o líder do governo do Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP).
Um dos argumentos levados aos deputados e senadores é o questionamento de qual seria a efetividade da CPI se PF e CGU já estão com trabalho de apuração avançado. Também pontuam que a própria comissão seria alimentada com informações que vêm sendo coletadas por esses órgãos.
DISPUTA NAS REDES
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/9/t/EPIvmTSSKULTISI7ewqQ/arte-2025-05-07t180436.379.png)
O formato adotado por Nikolas Ferreira em
postagens (Foto: Reprodução)
Conforme levantamento feito pela consultoria Bites a pedido do GLOBO, as menções à crise do INSS e temas relacionados ao assunto já superaram, nas redes sociais, a repercussão da crise do Pix enfrentada pelo governo em janeiro deste ano. Segundo os dados, inclusive, Nikolas é apontado como o líder do debate amplamente dominado pela direita.
Desde o dia 23 abril, quando o asssunto veio a público após operação da Polícia Federal (PF) e Controladoria-Geral da União (CGU), foram publicados 4 milhões de menções às denúncias de fraude do INSS, à queda do ministro Carlos Lupi ou a termos relacionados. Esse volume já é maior do que as 2,7 milhões de menções ao Pix nos 15 dias em janeiro em que o tema se tornou uma crise para o governo.
Os 67 deputados do PL que falaram do tema geraram 13,7 milhões de interações. Os 55 do PT que tentam ecoar o discurso de que a responsabilidade sobre a crise não é da atual gestão geraram 577 mil interações. Mesmo somando com 9 do PSOL, eles vão a 908 mil interações.
INVESTIGAÇÃO NO INSS
A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram no fim de abril uma megaoperação para combater descontos não autorizados em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS. O chefe do órgão, Alessandro Stefanutto, foi afastado do cargo por decisão judicial e depois demitido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Depois, pressionado pela crise, foi a vez do ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT), entregar o cargo.
A operação, que envolveu centenas de policiais e auditores, foi autorizada pela Justiça do Distrito Federal para combater um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões. As investigações apontam que a soma dos valores descontados chega a R$ 6,3 bilhões, entre 2019 e 2024, mas ainda será apurado qual porcentagem foi feita de forma ilegal.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
As investigações apontaram que havia descontos sobre valores pagos mensalmente pelo INSS como se os beneficiários tivessem se tornado membros de associações de aposentados, quando, na verdade, não haviam se associado nem autorizado os descontos. Após a operação, o governo suspendeu todos os acordos que previam desconto nas aposentadorias.
Fonte: O Globo