A exigência de verificar o resultado gerado pela tecnologia está criando um gargalo de mão de obra humana na automação por inteligência artificial
A inteligência artificial (IA), apresentada por grandes empresas de tecnologia como uma ferramenta capaz de revolucionar o mercado de trabalho, ainda não está proporcionando os ganhos de produtividade prometidos. Pesquisas recentes indicam que a necessidade de conferir, corrigir e revisar os resultados produzidos pela tecnologia pode estar limitando os benefícios da automação.
Um levantamento realizado com cerca de 6 mil executivos, por pesquisadores de instituições como o Federal Reserve Bank de Atlanta e a Universidade de Stanford, apontou que aproximadamente 90% dos entrevistados não perceberam impactos da IA sobre o emprego ou a produtividade, apesar de 69% afirmarem que suas empresas já utilizam a tecnologia.
O fenômeno também aparece em estudos sobre a economia em geral. Para especialistas, os ganhos de eficiência prometidos pela inteligência artificial continuam sendo uma expectativa, e não uma realidade comprovada em larga escala.
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Uma pesquisa realizada pela plataforma Workday, com 3,2 mil funcionários e líderes empresariais, identificou que os entrevistados utilizavam, em média, 37% do tempo economizado com a IA para corrigir, esclarecer ou reescrever conteúdos considerados de baixa qualidade.
No meio científico, pesquisadores do Google observaram que, embora a tecnologia economize horas de trabalho, parte desse tempo precisa ser utilizada para conferir as informações geradas. O levantamento também identificou um aumento no volume de hipóteses científicas que permanecem sem testes, indicando que produzir ideias mais rapidamente não significa conseguir comprová-las na mesma velocidade.
O cenário também é observado no setor financeiro e no desenvolvimento de softwares. Bancos e empresas de tecnologia utilizam ferramentas de IA para acelerar tarefas, mas continuam dependendo de profissionais para revisar códigos, testar sistemas e identificar possíveis erros.
Estudos envolvendo aproximadamente 500 mil desenvolvedores do GitHub apontaram que as ferramentas de programação baseadas em inteligência artificial ampliam a atividade dos profissionais, mas os ganhos diminuem quando o trabalho passa da produção de códigos para etapas como revisão, integração, testes e lançamento de programas.
Em algumas áreas, a tecnologia também pode aumentar a carga de trabalho. Com a possibilidade de produzir mais em menos tempo, clientes e empresas passam a exigir entregas maiores e mais sofisticadas, enquanto os funcionários precisam dedicar parte da jornada à verificação dos resultados.
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Especialistas avaliam que a inteligência artificial pode continuar transformando diferentes profissões, mas alertam que automatizar uma tarefa não elimina necessariamente o trabalho humano. Em muitos casos, o esforço é transferido para outras etapas, nas quais a experiência e o julgamento profissional continuam sendo fundamentais.