Relatório do Fórum Econômico Mundial aponta que mulheres ocupam apenas 1 em cada 5 cargos de engenharia de IA e alerta para o risco de a tecnologia ampliar as desigualdades no mercado de trabalho
O avanço da inteligência artificial (IA) pode aprofundar as desigualdades de gênero no mercado de trabalho, segundo um alerta de dirigentes do Fórum Econômico Mundial (WEF) e do LinkedIn. A preocupação é que a tecnologia transforme justamente funções profissionais que concentram grande número de mulheres, aumentando os riscos de exclusão e dificultando o acesso a novas oportunidades.
De acordo com Saadia Zahidi, integrante do comitê executivo do Fórum Econômico Mundial, os empregos administrativos e de escritório estão entre os mais afetados pelas mudanças provocadas pela IA. Essas funções garantiram oportunidades de trabalho e renda para muitas mulheres nas últimas décadas, mas agora passam por uma transformação acelerada com a automação de tarefas.
A desigualdade também aparece nas próprias empresas especializadas em inteligência artificial. Segundo Sue Duke, executiva do LinkedIn, as mulheres ocupam apenas um em cada cinco cargos de engenharia de IA. A baixa participação feminina nessas áreas pode limitar o acesso das profissionais às novas vagas e aos melhores salários gerados pelo crescimento do setor.
Veja também

Cães de grande porte envelhecem mais rápido, aponta estudo sobre alterações no DNA
Anthropic autoriza inteligência artificial a encerrar conversas com usuários abusivos
O cenário preocupa porque a tecnologia pode criar oportunidades econômicas, mas seus benefícios correm o risco de se concentrar entre os grupos que já possuem maior presença nas áreas científicas e tecnológicas. Sem medidas para ampliar a participação feminina, a transformação digital poderá reforçar diferenças que já existem na contratação, na remuneração e na progressão profissional.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Para enfrentar o problema, representantes das duas instituições defendem que governos e empresas invistam na formação de mulheres para carreiras ligadas à ciência e à tecnologia, além de ampliar oportunidades de contratação e desenvolvimento profissional. O alerta ocorre em um momento em que a redução das desigualdades de gênero no mundo perdeu ritmo em comparação com as décadas anteriores.