Estudo diz que exame pode evidenciar acúmulo de depósitos de cálcio nas artérias mamárias, fator que sobe a chance de entupimento dos vasos
Um estudo recente revelou que a inteligência artificial (IA) aplicada a exames de mamografia pode ajudar a identificar riscos de doenças cardiovasculares em mulheres, ampliando a utilidade do exame além da detecção do câncer de mama. A descoberta tem sido considerada promissora por especialistas, principalmente por possibilitar diagnósticos mais precoces e aumentar as chances de prevenção de problemas cardíacos.
A pesquisa, publicada no periódico científico European Heart Journal, analisou exames de mais de 123 mil mulheres sem histórico prévio de doenças cardiovasculares. Com auxílio da IA, os cientistas conseguiram identificar depósitos de cálcio nas artérias mamárias — condição conhecida como calcificação arterial mamária —, que está associada ao aumento do risco de infarto, AVC e insuficiência cardíaca.
Tradicionalmente, a mamografia é usada para rastrear o câncer de mama, mas os pesquisadores perceberam que o exame também pode fornecer pistas importantes sobre a saúde cardiovascular. A inteligência artificial consegue analisar automaticamente as imagens e medir o grau de calcificação presente nas artérias, permitindo identificar mulheres com maior probabilidade de desenvolver problemas cardíacos nos anos seguintes.
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Os resultados mostraram uma relação direta entre o nível de calcificação detectado e o risco cardiovascular. Mulheres com calcificação leve apresentaram aumento de cerca de 30% no risco de eventos cardíacos graves. Nos casos moderados, o risco chegou próximo de 80%, enquanto mulheres com níveis elevados tiveram probabilidade até três vezes maior de sofrer complicações cardiovasculares.
Especialistas destacam que a descoberta pode representar um avanço importante na saúde feminina, já que muitas mulheres realizam mamografias regularmente, mas não passam por avaliações cardiovasculares preventivas com a mesma frequência. Dessa forma, o próprio exame de rotina poderia servir como uma ferramenta dupla de rastreamento, identificando tanto sinais de câncer quanto fatores de risco cardíaco.
Outro ponto considerado positivo é que a tecnologia não exige novos exames nem aumento da exposição à radiação. A IA utiliza as imagens já obtidas na mamografia tradicional para realizar a análise adicional, o que pode tornar o método mais acessível e eficiente dentro dos sistemas de saúde.
Pesquisadores afirmam que o uso da inteligência artificial pode ser especialmente importante em regiões com acesso limitado a exames especializados, ajudando médicos a identificar pacientes de maior risco de forma mais rápida e precisa. Além disso, o avanço reforça o crescimento da IA na medicina, área em que algoritmos já vêm sendo usados para melhorar diagnósticos e auxiliar profissionais de saúde em diferentes especialidades.
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Apesar dos resultados animadores, os cientistas ressaltam que a tecnologia ainda precisa passar por novas validações antes de ser incorporada amplamente à prática clínica. Mesmo assim, os estudos indicam que a integração entre inteligência artificial e mamografia pode abrir caminho para uma abordagem mais preventiva e personalizada da saúde feminina.