Dados apontam aumento expressivo de internações desde 2023, em meio à dispersão do fluxo e intensificação das ações de segurança e saúde no centro da capital.
As internações de pessoas em situação de dependência química mais do que triplicaram em São Paulo após as mudanças na região conhecida como Cracolândia, especialmente a partir de 2024. O aumento ocorre em meio às ações do poder público que levaram à dispersão do fluxo de usuários de crack no centro da capital paulista.
Segundo dados do governo de São Paulo, cerca de 30 mil internações foram registradas desde a criação do Hub de Cuidados com Crack e Outras Drogas, em abril de 2023. O crescimento mais expressivo ocorreu no período que antecedeu a dispersão da Cracolândia, concluída em 2025.
As internações voluntárias e involuntárias apresentaram forte alta nesse intervalo. As voluntárias cresceram 211% em 2024 em relação ao ano anterior, enquanto as involuntárias aumentaram 174% no mesmo período. Após o pico, os números passaram a recuar em 2025 e no início de 2026.
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Os dados mostram que as internações voluntárias saltaram de 4.269 em 2023 para 13.274 em 2024, caindo depois para 8.886 em 2025. Já as involuntárias passaram de 168 para 460 no mesmo período, recuando nos anos seguintes.
No sistema municipal de saúde, o aumento também foi significativo. Registros apontam crescimento de internações voluntárias de seis casos em 2023 para 618 posteriormente, enquanto as involuntárias passaram de três para 216 no mesmo intervalo.
Documentos enviados ao Ministério Público indicam ainda que o tempo de permanência dos pacientes nos serviços de saúde aumentou, com crescimento das internações superiores a 30 dias.
MUDANÇAS NO CENÁRIO E IMPACTOS SOCIAIS
Profissionais da saúde e pesquisadores apontam que a dispersão do fluxo na Cracolândia alterou o perfil dos atendimentos. Segundo relatos, após a redução da concentração de usuários em uma única área, tornou-se mais difícil localizar e encaminhar dependentes para tratamento.
Ao mesmo tempo, antes da dispersão, muitos usuários já recorriam às internações como forma de acesso a abrigo, alimentação e cuidados básicos, em um contexto de vulnerabilidade social prolongada.
Especialistas em saúde mental alertam que o tratamento da dependência química não depende apenas da internação, mas também da existência de políticas de acompanhamento contínuo e reinserção social após a alta hospitalar.
Segundo profissionais da área, muitos pacientes deixam as unidades de saúde sem suporte adequado para continuidade do tratamento, retornando a condições de rua marcadas por ausência de moradia, vínculos familiares fragilizados e dificuldade de acesso a serviços básicos.
POSICIONAMENTO DO PODER PÚBLICO
O governo de São Paulo afirma que as ações realizadas na região resultaram na desarticulação do principal fluxo de usuários de drogas no centro da capital. Segundo a gestão estadual, a estratégia combina ampliação da rede de atendimento em saúde e ações de segurança pública voltadas ao combate ao tráfico.
A administração informa ainda que milhares de pessoas foram detidas na região desde 2023, além da apreensão de armas e drogas, e que equipes de saúde e assistência social seguem atuando no atendimento individualizado aos usuários.
A Prefeitura de São Paulo reforça que o atendimento à população em situação de rua é realizado por equipes especializadas e que eventuais irregularidades são investigadas pelos órgãos competentes.
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O debate sobre os impactos das políticas adotadas segue em discussão entre autoridades, profissionais da saúde e pesquisadores que acompanham a situação na capital paulista.