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Investigação aponta Japão como rota estratégica para obtenção de tecnologia militar pela Rússia
Foto: Divulgação

Relatório revela que agentes russos teriam usado empresas e redes logísticas no Japão para acessar componentes empregados na guerra contra a Ucrânia.

O Japão tornou-se um dos principais focos de atuação da inteligência russa após o início da guerra na Ucrânia, segundo uma investigação baseada em documentos oficiais, registros empresariais e entrevistas com autoridades de inteligência de diferentes países. O levantamento aponta que agentes ligados ao Kremlin utilizam o território japonês para obter tecnologias sensíveis empregadas na fabricação de armamentos.

 

De acordo com a apuração, a chamada 20ª Diretoria da inteligência militar russa (GRU) mantém uma estrutura discreta em Tóquio para localizar, adquirir e enviar componentes de alta tecnologia destinados à indústria bélica russa. Os agentes atuariam sob identidades de diplomatas, empresários e funcionários de empresas estatais.

 

Entre os nomes citados está Maksim Vladimirovich Filchenkov, apontado por serviços de inteligência ocidentais como responsável por coordenar as operações no Japão enquanto mantém uma identidade de fachada ligada à companhia aérea russa Aeroflot.

 

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Segundo autoridades ucranianas, cerca de 90% dos mísseis e drones utilizados pela Rússia conteriam componentes de fabricação japonesa. Investigações realizadas após ataques contra cidades da Ucrânia identificaram peças eletrônicas produzidas no Japão em armamentos russos, apesar das restrições impostas à exportação desse tipo de tecnologia.

 

A investigação também destaca que empresas de logística e rotas comerciais por países como Vietnã, Uzbequistão e Sri Lanka estariam sendo utilizadas para contornar as sanções internacionais e facilitar o envio de equipamentos à Rússia. As companhias citadas negam qualquer participação em atividades ilegais e afirmam cumprir rigorosamente as normas de exportação e as sanções vigentes.

 

Ao longo de 2025, o governo da Ucrânia encaminhou diversas comunicações diplomáticas às autoridades japonesas apresentando evidências do uso de componentes fabricados no país em armas russas. Os documentos continham listas e fotografias de semicondutores, transmissores, placas eletrônicas e outros equipamentos recuperados após ataques.

 

O governo japonês afirma colaborar com aliados ocidentais para impedir a exportação de produtos de uso militar à Rússia e reforçou os mecanismos de fiscalização. Além disso, o país iniciou medidas para fortalecer sua estrutura de inteligência e combater operações de espionagem, em meio ao aumento das preocupações com a atuação de agentes estrangeiros em seu território.

 

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Embora a investigação aponte o Japão como um importante ponto de obtenção de tecnologia sensível, não há evidências de que fabricantes japoneses tenham vendido deliberadamente seus produtos ao governo russo. As empresas mencionadas reiteram que cumprem as restrições comerciais e investigam possíveis desvios na cadeia internacional de distribuição. 

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