Os combates entre forças iranianas e norte-americanas voltaram na última terça-feira
O Irã afirmou neste sábado (11) que continua cumprindo os compromissos firmados com os Estados Unidos após o acordo de cessar-fogo, em meio ao aumento das tensões entre os dois países. A declaração ocorreu depois que o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o acordo estava encerrado após a retomada dos confrontos.
“Até agora, o Irã cumpriu sua palavra”, declarou o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, em uma publicação na rede social X. Segundo ele, “só pode haver respeito quando ele é mútuo”.
Os combates entre forças iranianas e norte-americanas voltaram na última terça-feira e marcaram a maior escalada desde 17 de junho, quando foi firmado um protocolo de cessar-fogo com o objetivo de encerrar a guerra iniciada em 28 de fevereiro, após uma ofensiva de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.
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Na sexta-feira (10), Trump afirmou que o cessar-fogo estava “terminado”, embora tenha indicado que as negociações com Teerã poderiam continuar. “A República Islâmica do Irã nos pediu para continuar as discussões. Aceitamos, mas os Estados Unidos deixaram claro, de forma inequívoca, que o cessar-fogo estava terminado”, disse o presidente americano.
O governo iraniano negou que tenha solicitado a retomada das conversas. Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Teerã não fez nenhum pedido nesse sentido.
Neste sábado, Abbas Araghchi deve viajar para Omã para tratar da situação no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas de transporte de petróleo e gás do mundo. O Irã passou a permitir apenas um corredor de navegação ao longo de sua costa e rejeita o retorno às regras anteriores ao conflito, quando a passagem era livre.
Em períodos de estabilidade, aproximadamente um quinto do comércio mundial de petróleo e gás passa pelo estreito, o que aumenta a preocupação internacional diante da possibilidade de novos bloqueios.
Os Estados Unidos realizaram ataques contra o Irã durante duas noites consecutivas após acusarem Teerã de ataques contra três navios comerciais na região. Em resposta, o Irã lançou ofensivas contra países vizinhos do Golfo, atingindo locais no Kuwait, Bahrein e Catar. No Kuwait, uma pessoa ficou ferida.
Segundo informações dos veículos americanos Axios e Politico, Washington teria dado até o fim deste sábado para que o governo iraniano assumisse publicamente o compromisso de não realizar novos ataques contra embarcações no Estreito de Ormuz.
Além disso, os Estados Unidos retomaram sanções econômicas contra o petróleo iraniano, que haviam sido suspensas após o acordo firmado em junho. Araghchi classificou a medida como uma violação do cessar-fogo.
A nova escalada ocorre durante o período de luto pela morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, que morreu no primeiro dia da guerra e foi sepultado na sexta-feira no mausoléu do imã Reza, na cidade de Mashhad, considerado um dos principais santuários xiitas do país.
O governo iraniano acusou os Estados Unidos de atingirem também estruturas civis durante os ataques, enquanto Washington afirmou que os alvos eram instalações militares. Teerã afirmou que a ofensiva prejudicou a participação da população nas cerimônias de despedida do líder iraniano.
Apesar da intensificação dos ataques, a situação apresentou uma redução dos confrontos entre quinta-feira à noite e sexta-feira pela manhã. Uma delegação do Catar chegou ao Irã para participar de novas tentativas de negociação.
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O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, também pediu a preservação da paz durante os esforços de mediação. Enquanto isso, autoridades iranianas afirmaram que o país não aceitará uma rendição e responderá a novos ataques contra suas infraestruturas.