Segundo investigação da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), 20,6 mil menores foram levados à força para a Rússia e 1,6 milhão vivem sob ocupação
Um relatório apresentado pela Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) acusa a Rússia de intensificar uma política de apagamento da identidade de crianças ucranianas levadas de territórios ocupados desde o início da guerra, em 2022. Segundo a investigação, 20.610 menores foram transferidos à força para território russo, enquanto cerca de 1,6 milhão vivem sob ocupação nas áreas controladas por Moscou.
De acordo com o documento, muitas dessas crianças receberam cidadania russa, foram encaminhadas para famílias adotivas ou instituições e perderam o contato com seus parentes. A investigação aponta que apenas 2.368 menores conseguiram retornar à Ucrânia desde o início do conflito.
O relatório também afirma que, nos territórios ocupados, o sistema educacional ucraniano foi substituído pelo currículo russo. Livros de história foram alterados, o ensino da língua ucraniana foi eliminado e estudantes passaram a receber conteúdos que exaltam a identidade russa. Professores que se recusam a seguir as novas regras estariam sendo ameaçados, enquanto crianças são proibidas de falar ucraniano em ambientes públicos.
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Outro ponto destacado é a crescente militarização da infância. Segundo a OSCE, adolescentes recebem treinamento sobre armas e drones nas escolas e são incentivados a ingressar em organizações de caráter militar. Jovens de 16 anos também passam a receber notificações informando que poderão ser convocados para servir nas Forças Armadas russas ao atingirem a maioridade.
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As conclusões reforçam denúncias feitas anteriormente por organismos internacionais. Em 2023, o Tribunal Penal Internacional expediu mandados de prisão contra o presidente Vladimir Putin e a comissária russa para os Direitos da Criança, Maria Lvova-Belova, por suspeitas relacionadas à deportação ilegal de menores ucranianos. Moscou nega as acusações e afirma que atua dentro das normas internacionais.