Segundo o MPCE, facção teria criado uma espécie de “pedágio eleitoral” e usado ameaças para interferir nas eleições
O Ministério Público do Ceará (MPCE) divulgou novos detalhes da Operação Omertá, deflagrada nesta terça-feira (11), para investigar uma suposta organização criminosa que teria atuado para interferir no processo eleitoral em Sobral, no Ceará.
Segundo as investigações, integrantes do Comando Vermelho (CV) cobrariam valores de candidatos para permitir a realização de campanhas em determinadas regiões do município. A cobrança funcionaria como uma espécie de “pedágio eleitoral”.
De acordo com o MPCE, candidatos sem mandato pagariam aproximadamente R$ 30 mil para ter acesso às áreas controladas pelo grupo. Já políticos que ocupavam mandatos seriam cobrados em torno de R$ 60 mil.
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Além da cobrança de valores, a investigação aponta que a organização criminosa teria utilizado ameaças e coação para tentar influenciar a escolha dos eleitores.
A suposta interferência também teria alcançado atividades relacionadas às eleições de 2026. Conforme o Ministério Público, eventos e reuniões políticas previstos para Sobral chegaram a ser cancelados após ameaças de morte e ataques contra pessoas e estabelecimentos envolvidos na organização.
VEREADORES SÃO PRESOS E AFASTADOS
A Operação Omertá resultou na prisão preventiva de três vereadores de Sobral: Carlos do Calisto (PSB), Mário Vicktor (União) e Juninho do Povo (Podemos).
Além das prisões, os três parlamentares foram afastados dos respectivos mandatos por 180 dias, conforme determinação judicial.
Uma policial militar também foi presa preventivamente durante a operação. Segundo as informações divulgadas, ela atuava no policiamento ostensivo e é casada com um homem apontado pelas investigações como uma das lideranças da facção em Sobral, que também está preso.
A policial foi afastada de suas funções pelo período de 180 dias.
Um advogado também é investigado por suposta participação na estrutura criminosa. Segundo a apuração, ele teria ligação com os núcleos responsáveis pela liderança e pela execução de ordens destinadas a interferir no processo eleitoral. A identidade dele não foi divulgada.
INVESTIGAÇÃO COMEÇOU EM 2024
Segundo o MPCE, o inquérito foi aberto em 2024 e passou a reunir depoimentos, documentos e outros elementos relacionados à suposta atuação da facção no processo eleitoral.
A apuração investiga possíveis crimes como organização criminosa, domínio social estruturado, extorsão, lavagem de dinheiro, corrupção e impedimento ou embaraço à propaganda eleitoral.
Ao todo, a Operação Omertá cumpriu 14 mandados de prisão preventiva e 25 mandados de busca e apreensão.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, os agentes apreenderam celulares, dinheiro em espécie e documentos que deverão ser analisados no decorrer da investigação.
A Justiça Eleitoral também determinou que a Câmara Municipal de Sobral apresente a relação completa de ocupantes de cargos comissionados, funções de confiança e contratados temporariamente vinculados ao Legislativo.
A operação contou com a participação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO/CE), do Ministério Público Eleitoral, por meio da 3ª Promotoria Eleitoral, e do Grupo Auxiliar Eleitoral (GAEL).
As medidas foram autorizadas pela 3ª Zona Eleitoral de Fortaleza.
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As suspeitas investigadas ainda serão apuradas pela Justiça, e a abertura do procedimento e o cumprimento das medidas judiciais não representam, por si só, condenação dos investigados.