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Israel retoma lançamentos aéreos de ajuda a Gaza; ONU afirma que medida é ineficaz
Foto: Reprodução

As Forças Armadas de Israel anunciaram a retomada, neste sábado, de lançamentos aéreos de ajuda à Faixa de Gaza, no momento em que o país está sob intensa pressão por conta da grave crise humanitária no território.

 

Mas a medida, que será replicada por outras nações, é considerada ineficaz pelas Nações Unidas, que pedem a normalização dos envios por terra de itens extremamente necessários à população local.

 

Em comunicado, os militares afirmam que serão tomadas “diversas ações” no enclave, que enfrenta um violento conflito desde outubro de 2023: a principal delas é o envio aéreo de ao menos sete paletes com “farinha, açúcar e alimentos enlatados, fornecidos por organizações internacionais”.

 

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A operação, dizem as Forças Armadas, ocorre em coordenação com organizações de ajuda, e a decisão de lançar a ajuda foi tomada “de acordo com as diretrizes do escalão político e após uma avaliação situacional realizada esta noite”, para amenizar a situação em Gaza e “refutar a falsa alegação de fome deliberada na Faixa de Gaza”.

 

Desde março, Israel aplica um bloqueio quase total à entrada de ajuda humanitária fornecida pela ONU e organizações internacionais a Gaza — em maio, um novo sistema de distribuição, controlado por uma fundação apoiada pelos EUA e criticada pela ONU, foi adotado, mas além de ser ineficaz, ele se mostrou mortal: os pontos de distribuição são poucos, e muitas vezes localizados perto de zonas de combate. Segundo números das Nações Unidas, mais de mil pessoas foram mortas perto dos pontos de ajuda, em boa parte por disparos realizados por seguranças da fundação e militares israelenses.

 

O resultado é a instauração de uma das mais graves crises humanitárias dos últimos anos, com a maior parte da população enfrentando falta severa de alimentos, e um crescente número de pessoas, incluindo crianças, morrendo de inanição. Na semana passada, a relatora especial da ONU para os Territórios Palestinos, Francesca Albanese, afirmou que Israel estava deliberadamente deixando centenas de milhares de pessoas passarem fome.

 

“Hoje, um Estado (Israel) que deixa milhões de pessoas famintas/atira em crianças por esporte, protegido por democracias e ditaduras, é o novo abismo da crueldade. Como sobreviveremos a isso??”, escreveu Albanese no X.

 

Israel rejeita as alegações de que haja fome em Gaza, contrariando alertas da ONU e de mais de 100 organizações de ajuda humanitária, e com frequência acusa o grupo terrorista Hamas de roubar cargas de alimentos e outros insumos, uma alegação questionada em reportagem do jornal New York Times: segundo a publicação, integrantes do governo afirmam que, até hoje, não foram encontradas evidências de que o grupo armado tenha desviado cargas de ajuda da ONU no enclave.

 

Além dos envios aéreos, Israel anunciou que “corredores humanitários designados seriam estabelecidos para permitir a movimentação segura de comboios da ONU que entregam alimentos e medicamentos à população”, além de “pausas humanitárias em áreas densamente povoadas”, sem detalhar como e por quanto tempo elas funcionariam.

 

O Exército, contudo, diz que suas forças “continuarão a operar para desmantelar a infraestrutura terrorista e eliminar terroristas nas áreas de atividade”. Por fim, os militares anunciaram que uma usina de dessalinização no sul de Gaza receberá energia vinda do território israelense para ampliar sua capacidade de fornecimento de água.

 

Horas antes, o governo do Reino Unido anunciou que estava planejando lançar cargas de ajuda, por via aérea, a Gaza. Na mesma linha, as autoridades dos Emirados Árabes Unidos confirmaram que os envios aéreos de ajuda seriam retomados imediatamente. Mas o chefe da agência da ONU para os refugiados palestinos sugeriu que as ações seriam ineficazes.

 

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“É uma distração e uma cortina de fumaça. Uma fome provocada pelo homem só pode ser enfrentada com vontade política. Levante o cerco, abra os portões e garanta movimentos seguros e acesso digno às pessoas necessitadas”, escreveu Philippe Lazzarini, chefe da Unrwa, no X. “Na Unrwa, temos o equivalente a 6.000 caminhões na Jordânia e no Egito aguardando sinal verde para entrar em Gaza. Transportar ajuda por terra é muito mais fácil, eficaz, rápido, barato e seguro. É mais digno para o povo de Gaza.” 

 

Fonte: O Globo

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