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Itália endurece controles e restringe circulação com a Espanha após crise migratória em Ceuta
Foto: Divulgação

Medida terá duração inicial de um mês e foi adotada após a chegada de milhares de migrantes ao território espanhol no norte da África.

A Itália anunciou nesta sexta-feira (31) a suspensão temporária da livre circulação por vias aérea e marítima com a Espanha. A decisão foi tomada após a entrada de dezenas de milhares de migrantes marroquinos em Ceuta, enclave espanhol localizado no norte da África, episódio que intensificou a crise migratória e provocou reações em diversos países europeus.

 

Segundo o Ministério do Interior italiano, a medida prevê o reforço das inspeções nas fronteiras para verificar a documentação de cidadãos de países terceiros que circulam pelo Espaço Schengen. A restrição terá validade inicial de um mês.

 

Durante visita a Ceuta, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, atribuiu o aumento das travessias às redes de tráfico de pessoas e anunciou a instalação de uma barreira flutuante em um dos pontos utilizados pelos migrantes para acessar o território espanhol.

 

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A crise também ampliou as divergências políticas na Europa. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que a imigração irregular representa uma ameaça à segurança das fronteiras do continente. O ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani, criticou a política migratória do governo espanhol, provocando uma reação diplomática de Madri.

 

Além da Itália, a Finlândia manifestou apoio ao endurecimento das medidas, enquanto a Dinamarca defendeu que a União Europeia avalie todas as alternativas para proteger suas fronteiras externas, incluindo possíveis restrições dentro do Espaço Schengen.

 

A França informou que reforçará os controles na fronteira com a Espanha e colocou-se à disposição para prestar apoio ao governo espanhol caso seja solicitado. O Reino Unido também declarou acompanhar a situação com preocupação.

 

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump utilizou a crise como argumento em defesa de políticas migratórias mais rígidas, relacionando os acontecimentos em Ceuta ao debate sobre imigração em seu país.

 

De acordo com as autoridades espanholas, entre 50 mil e 60 mil migrantes cruzaram a fronteira em poucos dias, número próximo à população total de Ceuta, estimada em cerca de 83 mil habitantes. O governo informou que mais de 37 mil pessoas já deixaram o enclave.

 

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As autoridades espanholas investigam as causas da onda migratória, enquanto apontam que organizações criminosas e informações disseminadas nas redes sociais teriam incentivado milhares de pessoas a tentar entrar no território espanhol. A crise também ocorre em meio a um período de tensão diplomática entre Espanha e Marrocos, envolvendo questões relacionadas ao Saara Ocidental. 

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