Alarme durante o processo de ativação levou à suspensão das operações na usina de Kashiwazaki-Kariwa, que permanece sob monitoramento da Tepco.
O Japão suspendeu, nesta quinta-feira (22), o processo de reativação da usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa, considerada a maior do mundo em capacidade de produção de energia. A decisão foi tomada poucas horas após o início dos procedimentos de ativação, depois que um alarme do sistema de monitoramento do reator foi acionado, segundo informou a operadora Tokyo Electric Power Company (Tepco).
De acordo com Takashi Kobayashi, porta-voz da Tepco, o alerta ocorreu durante etapas iniciais do processo técnico de reativação, o que levou à paralisação imediata das operações por medida de segurança. “Um alarme do sistema de monitoramento soou durante os procedimentos de ativação do reator, e as operações foram suspensas”, afirmou.
Apesar do incidente, a empresa garantiu que o reator permanece em condições seguras. “O reator encontra-se estável e não houve qualquer impacto radioativo no ambiente externo”, destacou Kobayashi, acrescentando que equipes técnicas estão investigando as causas do acionamento do alarme. A operadora não informou uma nova data para a retomada do processo.
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Localizada na província de Niigata, a usina de Kashiwazaki-Kariwa estava com suas operações suspensas desde o desastre nuclear de Fukushima, em março de 2011, quando um terremoto seguido de tsunami provocou o pior acidente nuclear do país. Após mais de uma década de paralisação, a reativação de um dos reatores havia sido autorizada recentemente pela autoridade reguladora nuclear japonesa.
O processo de retomada estava inicialmente previsto para terça-feira (20), mas já havia sido adiado devido a um problema técnico envolvendo um sistema de alarme do reator. Segundo a Tepco, a falha havia sido solucionada no domingo (18), permitindo o reinício das operações na noite de quarta-feira (21). Horas depois, porém, um novo alerta levou à interrupção do procedimento.
Com sete reatores instalados, Kashiwazaki-Kariwa é a maior usina nuclear do mundo em termos de capacidade instalada, embora apenas um de seus reatores estivesse programado para voltar a operar nesta etapa. A reativação faz parte da estratégia do governo japonês para diversificar sua matriz energética.
Após o fechamento de todos os reatores nucleares do país em 2011, o Japão passou a depender fortemente de combustíveis fósseis para a geração de eletricidade. Nos últimos anos, porém, o governo vem defendendo a retomada gradual da energia nuclear como forma de reduzir emissões de carbono, garantir segurança energética e avançar rumo à meta de neutralidade climática até 2050.
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A suspensão temporária reforça, no entanto, a cautela das autoridades e da operadora diante de qualquer sinal de anormalidade, em um país ainda marcado pelo trauma do desastre de Fukushima e por um rigoroso escrutínio público sobre a segurança nuclear.