Após audiência de custódia, juiz converteu em preventiva a prisão de dois investigados pela morte de Beatriz Vitória, de 27 anos, desaparecida desde 9 de outubro; decisão cita indícios de autoria, risco a testemunha e necessidade de preservar provas.
A Justiça de Minas Gerais converteu em prisão preventiva, nesta quinta-feira (22/10), as prisões em flagrante de Samuel Castro Melo, de 18 anos, e Carla Luiza da Silva, de 23. Os dois são investigados por suspeita de envolvimento na morte de Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos, em Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
A decisão foi tomada pelo juiz Rodrigo Fernando Di Gioia Colosimo, da Vara Única da Comarca de Jaboticatubas, após a audiência de custódia. O magistrado considerou a necessidade de garantir a ordem pública, preservar a investigação e assegurar a aplicação da lei penal.
Os pedidos de relaxamento da prisão, liberdade provisória, com ou sem fiança, e aplicação de medidas cautelares alternativas foram negados.
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Beatriz estava desaparecida desde a noite de 9 de outubro, quando foi vista pela última vez nas proximidades do Bar do Eduardo, no bairro Bosque dos Coqueiros, em Jaboticatubas.
Segundo as informações apresentadas no processo, no dia 21 de outubro, uma adolescente de 15 anos prestou novo depoimento e relatou que Samuel e Carla teriam ido até sua residência em um Volkswagen Up. Conforme a versão apresentada pela jovem, o casal teria atraído Beatriz sob o pretexto de conversar sobre desavenças e a levado a uma área rural conhecida como Terra dos Portugueses.
Ainda de acordo com o relato, os dois teriam entrado na vegetação com a vítima e retornado entre 30 e 60 minutos depois, sem ela.
A partir das informações fornecidas pela adolescente, policiais localizaram um trecho de terra aparentemente revolvida. Durante as buscas, encontraram o corpo de Beatriz enterrado em uma cova. Conforme a descrição registrada na investigação, a vítima estava com as mãos amarradas para trás por arame e apresentava sinais de trauma contundente.
No local, também foram encontrados um tijolo com marcas de sangue e vestígios de uma embalagem de soda cáustica. O irmão da jovem, Maxwell Sérgio Marques Mota, fez o reconhecimento do corpo por meio de uma tatuagem na perna.

Foto: Reprodução
JUIZ APONTA INDÍCIOS E RISCO À INVESTIGAÇÃO
Na decisão, o magistrado considerou que há elementos que indicam a materialidade do crime e possíveis vínculos dos investigados com o caso. Entre os elementos mencionados estão a localização do corpo, os depoimentos e os resultados preliminares da investigação.
Conforme o documento, Samuel teria admitido que dirigiu o veículo, entrou em contato com Beatriz e a transportou até o local. Já Carla teria participado da organização do encontro e acompanhado o deslocamento, segundo o relato da adolescente.
A decisão também menciona um possível histórico de desentendimentos motivados por ciúmes. O juiz destacou a gravidade das circunstâncias descritas na investigação, incluindo a suspeita de emboscada, a imobilização da vítima, os ferimentos na cabeça e as medidas que teriam sido adotadas para ocultar o corpo.
Outro fator considerado foi o possível risco à adolescente que forneceu informações aos policiais. Segundo o processo, ela teria demonstrado receio de sofrer represálias por ajudar na localização da vítima.
OBJETOS AINDA SÃO PROCURADOS
A necessidade de preservar provas também pesou na decisão judicial. O celular de Beatriz ainda não havia sido localizado, embora a capa do aparelho tenha sido encontrada. O veículo Volkswagen Up branco, de placa PUU-6H50, também continuava desaparecido, conforme as informações apresentadas ao juiz.
O magistrado considerou que medidas alternativas à prisão seriam insuficientes para proteger a testemunha e garantir o andamento das diligências.
A decisão autorizou a extração integral dos dados dos três celulares apreendidos e determinou a realização urgente de exames periciais, incluindo necropsia, análise do local onde o corpo foi encontrado, exame do tijolo e exames de corpo de delito.
Também foi determinada a restrição de circulação do veículo por meio do sistema Renajud, além de sua busca e apreensão para perícia.
PRISÃO EM FLAGRANTE FOI MANTIDA
O juiz homologou o auto de prisão em flagrante e explicou que o crime de ocultação de cadáver, previsto no artigo 211 do Código Penal, tem natureza permanente. Dessa forma, segundo a decisão, a situação de flagrância poderia persistir enquanto o corpo permanecesse oculto, conforme o artigo 303 do Código de Processo Penal.
O magistrado também ressaltou que a restrição eleitoral prevista no artigo 236 do Código Eleitoral não impede prisões em flagrante, mesmo no período próximo ao segundo turno das eleições.
O Ministério Público havia se manifestado favoravelmente à homologação do flagrante e à conversão das prisões em preventivas para os dois investigados.
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A investigação segue em andamento para esclarecer as circunstâncias da morte de Beatriz e reunir provas sobre a participação de cada suspeito.