Parlamentar é apontado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público como peça-chave em esquema que teria utilizado empresa de ônibus para movimentar recursos da facção criminosa.
A Justiça de São Paulo determinou a prorrogação, por mais 30 dias, da prisão temporária do vereador Senival Moura (PT), investigado por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O parlamentar foi preso no fim de junho durante a Operação Última Parada, realizada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) em conjunto com o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).
Segundo as investigações, Senival Moura seria o chamado "dono oculto" da empresa de transporte coletivo Transunião, concessionária responsável pela operação de 50 linhas de ônibus na capital paulista. As autoridades suspeitam que a empresa teria sido utilizada para ocultar e movimentar recursos da organização criminosa.
Antes da nova decisão, a Justiça já havia negado pedidos da defesa para revogar a prisão temporária e converter a medida em prisão domiciliar.
Veja também
.jpg)
TJ-SP suspende decisão que obrigava Prefeitura de São Paulo a liberar Uber Moto
Justiça condena envolvidos na morte da cantora Aline Borel; penas chegam a 28 anos de prisão
De acordo com os investigadores, o vereador exerceria papel de liderança dentro do suposto esquema de lavagem de dinheiro. Mensagens obtidas durante a apuração indicariam que decisões financeiras e administrativas da empresa dependiam de sua autorização. Nas conversas, ele seria identificado por apelidos como "presidente", "véio", "velhinho" e "vereador".
As investigações também destacam que, à época da prisão, Senival ocupava cargos estratégicos na Câmara Municipal de São Paulo, sendo primeiro-secretário da Mesa Diretora e presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica, setor responsável justamente por fiscalizar e discutir assuntos relacionados ao transporte público.
A Operação Última Parada teve origem em investigações iniciadas em 2020, após a morte de Adauto Soares, então presidente da Transunião. Durante as apurações, surgiram indícios de que a empresa estaria sendo utilizada para movimentar recursos ligados ao PCC. Somente em 2025, segundo a investigação, a concessionária recebeu mais de R$ 300 milhões do sistema de transporte público da capital paulista.
Em nota, a defesa de Senival Moura afirmou discordar da decisão que prorrogou a prisão e informou que recorrerá judicialmente. Os advogados sustentam que o parlamentar possui residência fixa, exerce mandato público há mais de 20 anos, não possui antecedentes criminais e sempre esteve à disposição das autoridades.
A defesa também afirmou que o vereador nunca foi intimado anteriormente para prestar esclarecimentos e que teria comparecido espontaneamente caso fosse convocado. Além disso, negou qualquer ligação do parlamentar com organização criminosa e declarou confiar que, ao longo da investigação, será demonstrada a origem lícita de seu patrimônio e de suas movimentações financeiras.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
As investigações seguem em andamento e a responsabilidade criminal do vereador dependerá da conclusão do inquérito e da análise da Justiça.