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Kremlin: negociar guerra na Ucrânia sem Rússia é ''utopia''
Foto: Contributor/Getty Images

Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, defende presença de Moscou em qualquer diálogo sobre guerra na Ucrânia

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou nesta quarta-feira (20/8) que qualquer discussão sobre garantias de segurança envolvendo a Ucrânia sem a participação de Moscou é “um caminho para lugar nenhum”. Lavrov disse estar confiante de que o governo norte-americano está ciente de que discutir as garantias de segurança a Ucrânia, sem a presença da Rússia, é um pensamento utópico.

 

“Estou confiante de que no Ocidente, e especialmente nos EUA, eles entendem perfeitamente que discutir seriamente as garantias de segurança sem envolver a Rússia é uma utopia — um caminho para lugar nenhum”

 

A nova declaração do representante do Kremlin ocorre em meio aos preparativos para uma possível cúpula trilateral entre o presidente russo, Vladimir Putin, o norte-americano, Donald Trump, e o ucraniano, Volodymyr Zelensky.

 

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A Casa Branca confirmou que as negociações para viabilizar o encontro já estão em andamento. O plano inicial do governo Trump é promover primeiro uma reunião com os líderes do Leste Europeu e, a partir dos resultados desse encontro, encaminhar uma cúpula trilateral com a presença do presidente norte-americano.

 

Lavrov destacou que o Kremlin não descarta nenhum formato de negociação — seja bilateral ou trilateral — desde que Putin e Zelensky participem diretamente.

 

Segundo ele, porém, qualquer iniciativa de alto nível deve ser organizada com “extremo cuidado” para não comprometer o processo de paz. A Rússia apresentou ainda uma proposta para elevar o nível das delegações, o que, de acordo com Lavrov, reforçaria o caráter político das conversas.

 

“Moscou não rejeita nenhum formato de trabalho para o acordo ucraniano, mas qualquer interação com a participação de figuras importantes deve ser preparada com extremo cuidado”, disse.

 

Na última semana, Trump recebeu Putin em Anchorage, no Alasca, em uma reunião que não resultou em cessar-fogo imediato, mas abriu espaço para novas rodadas de diálogo.

 

O chanceler russo avaliou o encontro como “positivo” e disse ter visto uma postura inédita da delegação norte-americana. “Trump e sua equipe demonstraram um desejo genuíno de alcançar um resultado no processo de solução para a Ucrânia. A abordagem de Washington se tornou muito mais profunda após o encontro”, afirmou Lavrov.

 

O ministro voltou a insistir que as origens da guerra estão ligadas à expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para o leste europeu. “Houve violações flagrantes e sistemáticas, ao longo de décadas, das promessas de não expandir a aliança”, disse.

 

Ele também reiterou que Moscou não tem ambições territoriais na Ucrânia, mas busca proteger a população de língua russa.

 

Segundo Lavrov, se o presidente ucraniano “leva a sério a defesa da Constituição, deveria começar pelos primeiros artigos, que garantem os direitos da população de língua russa”.

 

Nesta quarta-feira (20/8), Trump se reuniu com Zelensky em Washington, ao lado de líderes europeus como Emmanuel Macron (França), Giorgia Meloni (Itália), Friedrich Merz (Alemanha) e Keir Starmer (Reino Unido).

 

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O reencontro aconteceu seis meses após uma reunião tensa entre os dois na Casa Branca. Segundo autoridades norte-americanas, a cúpula entre Volodymyr Zelensky e Vladimir Putin pode acontecer em duas semanas.

 

Fonte: Metrópoles

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