Solano Galvão e o secretário de educação, Carlos Galvão
A Prefeitura de Lábrea, sob gestão do prefeito Gerlando Lopes (PL), planeja fechar um contrato no valor de R$ 1,1 milhão para adquirir 146 computadores “completos” destinados às escolas municipais. Cada unidade custará R$ 7.765,00, preço considerado muito acima da média praticada no mercado, onde equipamentos com configurações semelhantes variam entre R$ 3.500 e R$ 4.000.
A empresa vencedora do Pregão Eletrônico nº 051/2025 é a SF Comércio e Serviços (S. R. G. Filho Ltda), pertencente a Solano Galvão, conhecido como “Pelado”. Ele é primo do secretário municipal de Educação, Carlos Galvão — justamente a secretaria que deve receber os computadores.
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CONFIGURAÇÕES AMPLAS E POSSIBILIDADE DE SOBREPREÇO
O edital exige máquinas com processador de múltiplos núcleos, mais de 8 GB de memória RAM, HD de 1 TB, SSD entre 310 e 500 GB, monitor de 21 a 29 polegadas, teclado, mouse, gabinete torre e sistema operacional. Porém, as descrições deixam margem para variações amplas — como a diferença de 8 polegadas no tamanho dos monitores ou quase 200 GB no SSD — que impactam diretamente no valor final dos equipamentos.
Levantamento feito pelo Radar Amazônico em lojas online e fornecedores especializados mostra que computadores com características equivalentes são encontrados por menos da metade do preço contratado pela prefeitura, indicando um possível sobrepreço superior a R$ 500 mil quando considerados os 146 equipamentos.
Exemplos de preços encontrados no mercado:
Modelo mais básico com as mesmas especificações: R$ 1.899
Modelo intermediário: R$ 3.356
Computador da marca Apple, reconhecidamente mais caro que a concorrência: R$ 6.209
Mesmo o modelo premium da Apple custa menos do que o valor por unidade previsto no contrato da Prefeitura de Lábrea.
Especialistas consultados pela reportagem lembram que a legislação obriga o poder público a realizar pesquisa de preços consistente antes de contratar. Quando há forte discrepância entre o valor estimado e o preço médio de mercado, surgem indícios de sobrepreço ou superfaturamento, o que pode violar princípios como economicidade e vantajosidade previstos na nova Lei de Licitações.
EMPRESA PERTENCE A PRIMO DO SECRETÁRIO
A SF Comércio e Serviços, empresa escolhida pela prefeitura, pertence a Solano Galvão, primo do secretário municipal de Educação. Além da ligação familiar, outro aspecto chama atenção: a companhia é registrada na Receita Federal como comércio atacadista de alimentos. O CNPJ inclui diversas atividades — como construção civil, confecção de roupas, venda de pneus, papelaria, ferragens e serviços gerais. Apesar de conter algumas atividades relacionadas à informática, não há indícios de que a empresa seja especializada em tecnologia.
SEDE FUNCIONA COMO DEPÓSITO DA FAMÍLIA

Foto: Reprodução
O endereço informado como sede da empresa fica em um galpão na Rua Castelo Branco, nº 760, bairro Barra Limpa, em Lábrea. No local, porém, funciona um depósito de uma loja de material de construção da família Galvão. Não há estrutura típica de uma fornecedora de TI, como loja, equipe técnica, laboratório de montagem ou suporte especializado.
Apesar de constar como proprietário, Solano Galvão é descrito por moradores como funcionário de serviços gerais no comércio dos irmãos, o que levanta ainda mais dúvidas sobre a capacidade operacional da empresa para assumir o fornecimento e a assistência técnica de 146 computadores.
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