Dor, inchaço, sensação de peso nas pernas e facilidade para desenvolver manchas roxas estão entre os sinais que podem indicar a condição
O lipedema pode atingir até 12,3% da população feminina adulta, segundo o Consenso Brasileiro de Lipedema. A condição é caracterizada por alterações no tecido adiposo e ainda é frequentemente confundida com obesidade, o que pode dificultar o reconhecimento dos sintomas e a busca pelo diagnóstico adequado.
Entre os sinais que podem levantar suspeita estão dor ou sensibilidade ao toque, sensação constante de peso nos membros, aumento desproporcional do tecido adiposo e facilidade para o surgimento de equimoses, conhecidas popularmente como manchas roxas.
“Dor e sensibilidade nas pernas não devem ser automaticamente consideradas consequência do peso corporal. Se uma mulher sente desconforto ao toque, sensação de peso ou dor persistente, vale investigar”, explica Bruna D’Ávila, médica e professora de pós-graduação em Nutrologia da Afya Educação Médica.
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Outro aspecto que pode ajudar na identificação é a forma como a gordura corporal se distribui. De acordo com a especialista, o lipedema costuma apresentar uma distribuição bilateral e simétrica, podendo provocar aumento do volume principalmente nas pernas e nos braços, enquanto mãos e pés tendem a ser preservados.
A presença desses sinais, entretanto, não é suficiente para confirmar a doença. O diagnóstico deve ser feito por um profissional de saúde, considerando o conjunto de sintomas, o histórico da paciente e o exame físico.
A condição também pode surgir ou se intensificar em períodos marcados por alterações hormonais, como a puberdade, a gestação e a menopausa. Por isso, a avaliação médica não deve considerar apenas o peso corporal ou o índice de massa corporal (IMC).
“O lipedema também pode se manifestar ou se agravar em períodos de mudanças hormonais, como puberdade, gestação e menopausa. Por isso, a investigação médica considera não apenas o peso ou o índice de massa corporal (IMC), mas também o histórico da paciente, a evolução dos sintomas e o exame físico”, afirma Bruna.
Um dos principais equívocos relacionados ao lipedema é tratá-lo simplesmente como uma “gordura que não emagrece”. Segundo a nutróloga, a condição envolve alterações no tecido adiposo subcutâneo e precisa ser avaliada individualmente.
A alimentação equilibrada e a prática de atividade física continuam importantes para mulheres que apresentam excesso de peso ou alterações metabólicas associadas. No entanto, o tratamento não deve ser reduzido a dietas restritivas ou à busca por um determinado número na balança.
“Tratar o lipedema não é abandonar o cuidado com o peso. É deixar de reduzir toda a saúde da mulher apenas ao peso”, destaca a especialista.
Após o diagnóstico, o tratamento é definido de acordo com os sintomas apresentados, a composição corporal, a mobilidade e o impacto da condição na qualidade de vida. O acompanhamento pode envolver profissionais de diferentes áreas, como nutrologia, fisioterapia, cirurgia vascular ou angiologia, educação física e psicologia.
Para a especialista, reconhecer o lipedema como uma condição clínica é importante para ampliar o diagnóstico e evitar que os sintomas sejam tratados apenas como uma questão estética.
“Quando existe dor, limitação funcional, desconforto ou impacto na qualidade de vida, estamos falando de saúde. O diagnóstico adequado começa quando olhamos para a paciente como um todo e não apenas para uma medida corporal”, ressalta Bruna D’Ávila.
Em Manaus, a Afya Educação Médica oferece atendimento gratuito em diferentes especialidades, incluindo Nutrologia. A iniciativa faz parte das atividades práticas dos cursos de pós-graduação da instituição e busca ampliar o acesso da população a atendimentos especializados
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Os atendimentos são realizados mediante agendamento na sede da Afya, localizada na avenida André Araújo, nº 2767, no bairro Aleixo.