Durante evento em Campinas, presidente defendeu parceria internacional para exploração mineral, mas reforçou que recursos estratégicos do país devem permanecer sob controle brasileiro.
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta segunda-feira (18) que o Brasil não abrirá mão da soberania sobre a exploração de minerais críticos e terras raras existentes no território nacional. A declaração foi feita durante cerimônia realizada em Campinas, no interior de São Paulo.
Durante o discurso, Lula destacou que o país está aberto a parcerias internacionais para exploração desses recursos estratégicos, mas ressaltou que qualquer cooperação deverá respeitar o controle brasileiro sobre as riquezas minerais.
“Pode vir chinês, americano, alemão, japonês ou qualquer outro país. O importante é compreender que os minerais críticos e as terras raras pertencem ao Brasil e queremos explorá-los aqui dentro”, declarou o presidente.
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Lula também afirmou que a comunidade científica brasileira terá papel fundamental na identificação e no estudo desses recursos minerais, especialmente por meio das pesquisas desenvolvidas no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).
Segundo o presidente, a utilização de tecnologia e inteligência científica poderá acelerar o mapeamento das reservas minerais brasileiras, reduzindo a dependência de métodos tradicionais de exploração.
O pronunciamento ocorreu durante a inauguração de quatro novas linhas de luz síncrotron do acelerador de partículas Sirius, considerado uma das estruturas científicas mais avançadas do mundo e a maior já construída no Brasil.
O investimento nas novas estruturas soma cerca de R$ 800 milhões, com recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
As novas linhas, chamadas Tatu, Sapucaia, Quati e Sapê, devem ampliar pesquisas em áreas como saúde, nanotecnologia, agricultura, clima, energia e materiais estratégicos.
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, afirmou que o avanço representa um salto científico e tecnológico para o país.
Segundo ela, o Sirius colocou o Brasil em um grupo restrito de nações que dominam a tecnologia de luz síncrotron de quarta geração, permitindo pesquisas avançadas em áreas estratégicas, como desenvolvimento de medicamentos, semicondutores, baterias e minerais críticos.
Entre as novas linhas inauguradas, a linha Quati será voltada para estudos relacionados à indústria petroquímica, farmacêutica e à pesquisa de terras raras e minerais estratégicos.
Já as linhas Tatu, Sapucaia e Sapê terão aplicações em pesquisas envolvendo biomoléculas, nanotecnologia, novos materiais, telecomunicações, energia e desenvolvimento de chips eletrônicos.
A luz síncrotron produzida pelo Sirius permite analisar estruturas em escala atômica e molecular, possibilitando investigações detalhadas sobre diferentes tipos de materiais e contribuindo para pesquisas científicas de alta complexidade.
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O acelerador Sirius é considerado uma das mais importantes infraestruturas científicas da América Latina e coloca o Brasil entre os países com maior capacidade tecnológica na área de pesquisa avançada.