Declaração do presidente durante evento na Bahia gerou incômodo entre integrantes do governo, que defendiam maior distanciamento diante da crise envolvendo o senador.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a demonstrar apoio público ao senador Jaques Wagner (PT-BA) durante um evento realizado na Bahia, nesta quarta-feira (1º). Ao se referir ao parlamentar como um "irmão", Lula contrariou a orientação de parte de seus aliados no Palácio do Planalto, que defendiam uma postura mais cautelosa diante do cenário político envolvendo o senador.
De acordo com informações de bastidores, assessores do governo avaliavam que o presidente deveria manter certa distância do episódio para evitar que eventuais desgastes políticos refletissem em sua estratégia para a disputa da reeleição. Ainda assim, Lula optou por destacar sua relação de longa data com Wagner durante o discurso.
Ao falar aos presentes, o presidente afirmou que algumas relações construídas ao longo da vida têm valor semelhante ao de laços familiares.
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"Tem pouca coisa que a gente não escolhe na Bahia. A gente não escolhe pai, mãe, irmão, irmãs. A gente escolhe companheiros, e aqui na Bahia eu tenho companheiros de longa data. O que representa para mim a minha relação com Jaques Wagner, com Rui Costa, com Jerônimo, com vários deputados que estão aqui, e com Otto", declarou.
Na sequência, Lula reforçou o vínculo de amizade com seus aliados baianos.
"Nem todo irmão é um amigo, mas todo amigo é um irmão. Essas pessoas, ao longo da vida, têm me ajudado a fazer o que eu faço e a ser quem eu sou", afirmou.
A declaração repercutiu entre integrantes do governo, que consideram mais prudente evitar associações públicas ao senador neste momento. Nos bastidores, há avaliação de que o presidente deveria preservar certa distância para impedir que a situação envolvendo Wagner tenha impacto político sobre o Palácio do Planalto.
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Jaques Wagner é um dos principais aliados históricos de Lula e deixou recentemente a liderança do governo no Senado após pressões de parlamentares da base aliada e de integrantes do próprio PT. Apesar das articulações internas, o discurso do presidente sinalizou que a relação de confiança entre ambos permanece inalterada.