Presidente critica privatizações e diz que Brasil precisa garantir autonomia energética
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta sexta-feira (20), a criação de um estoque estratégico de combustíveis no Brasil, além do fortalecimento da atuação da Petrobras no setor de distribuição. Segundo ele, essas medidas são essenciais para evitar que o país fique vulnerável às oscilações do mercado internacional.
Durante visita a uma refinaria da Petrobras em Betim (MG), Lula criticou os efeitos da privatização da BR Distribuidora, afirmando que o atual modelo dificulta o repasse de preços mais justos ao consumidor.
De acordo com o presidente, mesmo quando a Petrobras reduz os valores nas refinarias, essa queda nem sempre chega às bombas. “O preço é definido, divulgado, o distribuidor lucra, e o consumidor não sente o alívio”, afirmou.
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Lula destacou ainda que, para garantir soberania energética, o país precisa ter reservas capazes de amenizar impactos em momentos de crise global. Para ele, isso permitiria ao governo intervir e reduzir preços diante de cenários de especulação.
Atualmente, a Petrobras mantém apenas estoques operacionais, voltados ao funcionamento logístico das refinarias, sem um sistema formal de reserva estratégica voltado à regulação de preços.
O presidente também ressaltou que os aumentos nos combustíveis atingem principalmente a população de baixa renda e criticou os efeitos indiretos de conflitos internacionais sobre o custo de vida. “Não é justo que trabalhadores paguem mais caro por causa de guerras que não têm relação direta com o país”, pontuou.
A visita ocorre em meio à alta recente do diesel, que pressiona o setor de transporte e eleva os custos da cadeia produtiva, gerando preocupação no governo e entre caminhoneiros, que já sinalizam possibilidade de paralisações.
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Diante desse cenário, o Planalto busca alternativas para conter a escalada dos preços. Na quinta-feira (19), Lula voltou a pedir aos governadores a redução das alíquotas do ICMS sobre combustíveis. Em contrapartida, o governo federal propôs dividir o impacto fiscal da medida, assumindo parte da perda de arrecadação, estimada em cerca de R$ 3 bilhões mensais.