Presidente afirma que o equilíbrio das contas públicas é necessário para atrair investimentos ao Brasil; governo prepara novas discussões sobre medidas econômicas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a adotar um discurso mais voltado à responsabilidade fiscal em meio à pressão do mercado financeiro por medidas que garantam o equilíbrio das contas públicas. Durante uma reunião no Palácio do Planalto, na quinta-feira (5), o chefe do Executivo afirmou que o Brasil precisa demonstrar seriedade e organização econômica para atrair investimentos.
Sem mencionar diretamente as críticas do mercado financeiro, Lula destacou que investidores precisam encontrar um cenário econômico estável para aplicar recursos no país. Segundo ele, uma economia desorganizada dificulta a chegada de novos investimentos.
A mudança no tom ocorre após semanas de reação negativa do mercado à vitória de Lula nas eleições presidenciais. Nesse período, a Bolsa de Valores perdeu mais de 30 mil pontos, enquanto o dólar, que estava abaixo de R$ 5, chegou a R$ 5,48 no fechamento da quinta-feira (5).
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Outro fator de pressão foi a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, de manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano, interrompendo um ciclo de reduções. Entre os fatores considerados pelo colegiado está a política fiscal do governo.
Na tentativa de discutir alternativas para melhorar as contas públicas, Lula reuniu ministros da área econômica, economistas e representantes do governo na quinta-feira (5). Participaram do encontro o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, além de Bruno Moretti, Esther Dweck e Aloizio Mercadante.
Também foram convocados os ex-ministros da Fazenda Fernando Haddad e Guido Mantega, além dos economistas Luciano Coutinho, Laura Carvalho e Eduardo Moreira. A reunião, entretanto, terminou sem uma decisão definitiva sobre as medidas que poderão ser adotadas.
Dario Durigan informou que pretende ampliar as conversas com economistas, representantes da sociedade civil e agentes do mercado financeiro para reunir sugestões e apresentar propostas ao presidente.
Lula também gravou um pronunciamento sobre a situação das contas públicas, no qual deverá assumir um compromisso com a sustentabilidade fiscal, sem detalhar medidas concretas. A previsão é que a declaração seja exibida na noite de domingo (8).
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O anúncio de novas ações econômicas, porém, deverá ser adiado por pelo menos uma semana. O assunto deve voltar à discussão após a viagem presidencial à Turquia e às Filipinas, onde Lula participará da COP31 e da Cúpula da Asean. A agenda internacional está prevista para ocorrer entre os dias 9 e 16 de novembro.