Presidente passará a reforçar que ninguém está acima da lei no governo dele e que não irá trocar delegado ou investigadores para beneficiar o filho
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu adotar um tom mais firme ao tratar das suspeitas que envolvem seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A mudança de postura ocorre diante da avaliação de aliados de que o caso já provoca desgaste eleitoral e precisa ser enfrentado de maneira mais direta durante a campanha pela reeleição.
A orientação é que Lula reforce a ideia de que ninguém está acima da lei, inclusive familiares e integrantes de seu círculo político. O presidente também deve deixar claro que não pretende interferir nas investigações nem promover mudanças em equipes da Polícia Federal ou de outras instituições para beneficiar o filho.
Lulinha é alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal relacionados a suspeitas de tráfico de influência e possíveis negócios envolvendo órgãos do governo. Entre as apurações estão negociações com o Ministério da Saúde e possíveis tratativas junto à Dataprev. As investigações ainda estão em andamento e não representam, por si só, uma condenação. A defesa de Lulinha nega irregularidades e contesta as acusações.
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O assunto ganhou peso político justamente no início da corrida presidencial. A oposição, especialmente aliados de Flávio Bolsonaro, passou a explorar o caso nas redes sociais e em discursos de campanha. Uma pesquisa Datafolha divulgada nesta semana mostra Lula com 39% das intenções de voto, contra 33% de Flávio Bolsonaro, enquanto a corrupção aparece novamente como um dos principais temas da disputa.
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A nova estratégia deverá ficar ainda mais evidente na entrevista de Lula ao Jornal Nacional, marcada para quinta-feira (27). A avaliação dentro da campanha é que evitar o assunto pode ampliar o desgaste e dar mais espaço aos adversários. Por isso, o presidente deve apostar em uma postura de defesa das investigações, afirmando que eventuais envolvidos terão de responder pelos próprios atos, independentemente do grau de proximidade com o governo.