Brasil tem a segunda maior reserva do mundo de minerais críticos. Presidente sul-coreano defende também retomada de negociações para acordo comercial entre seu país e o Mercosul
O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, anunciaram uma série de novos acordos bilaterais durante a visita de Estado do líder brasileiro a Seul — a primeira em 21 anos.
O encontro marcou a elevação da relação entre os dois países ao status de “parceria estratégica”, com promessa de ampliar a cooperação em áreas como comércio, minerais críticos, inteligência artificial, conteúdo cultural e aviação.
— Hoje será registrado como um dia histórico, marcando um novo salto em nossas relações bilaterais — declarou Lee, ao lado de Lula, durante anúncio conjunto à imprensa na capital sul-coreana.
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Após a reunião de cúpula, Brasil e Coreia do Sul assinaram 10 memorandos de entendimento envolvendo setores estratégicos, especialmente minerais críticos e inteligência artificial. O Brasil detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, insumos fundamentais para tecnologia de ponta.
Do outro lado, gigantes como a Samsung Electronics e a SK Hynix estão entre as maiores fabricantes de semicondutores do planeta — área considerada essencial na disputa tecnológica global.
Lula deixou claro que o interesse brasileiro é atrair investimentos coreanos no setor mineral.
— Queremos atrair investimentos de empresas coreanas em minerais críticos — afirmou o presidente.
Ele também demonstrou interesse em aprofundar o diálogo sobre tecnologia, com foco especial na indústria de chips.
A passagem de Lula por Seul acontece logo após visita oficial a Nova Déli, onde Brasil e Índia firmaram um pacto-quadro para cooperação em minerais críticos, ampliando a articulação estratégica do país nesse segmento.
Os acordos entre brasileiros e sul-coreanos surgem em meio a um cenário de instabilidade comercial internacional. Recentemente, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou várias tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, decisão que pode provocar nova desorganização nos fluxos globais de comércio.
Mesmo após o revés judicial, Trump anunciou planos para implementar uma taxa global de 15%, mantendo praticamente inalterado o teto aplicado a produtos coreanos.
Durante o encontro, Lee também solicitou que o Brasil acelere as negociações para um acordo comercial entre a Coreia do Sul e o Mercosul, bloco econômico fundado em 1991 por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai com o objetivo de fortalecer a integração e o livre comércio na América do Sul.
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Lula ainda tem agenda prevista em um fórum empresarial na Coreia do Sul. A visita representa a primeira ida oficial de um presidente brasileiro ao país desde 2005. A última vez que o chefe do Executivo esteve em Seul foi em 2010, durante a cúpula do G-20.