Sinalização é positiva do ponto de vista fiscal, mas só um compromisso mais direto do próprio Lula com medidas que mudem o ritmo de alta da dívida pode efetivamente mudar o jogo das expectativas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve adotar uma nova postura na área econômica e incluir medidas de contenção de gastos obrigatórios em seu programa de governo. A mudança ocorre após o governo enfrentar pressões para equilibrar as contas públicas e evitar propostas com alto impacto no Orçamento.
A sinalização representa um recuo em relação a setores do próprio PT que defendiam uma agenda com maior expansão de despesas e menos foco em limitações fiscais. A ideia agora é apresentar uma proposta que combine manutenção de programas sociais com medidas voltadas ao controle das contas públicas.
Nos bastidores, integrantes da equipe econômica defendem a revisão de despesas obrigatórias, o fortalecimento das regras fiscais e mudanças na estrutura do Estado como caminhos para garantir maior previsibilidade econômica. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, já afirmou que a redução de gastos obrigatórios está entre os próximos passos da agenda econômica.
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A decisão também ocorre em meio à disputa política sobre as chamadas "pautas-bomba" no Congresso, projetos que podem elevar despesas ou reduzir receitas e pressionar o orçamento federal. O governo tem buscado barrar medidas consideradas de alto custo para preservar o equilíbrio fiscal.
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Com a aproximação das eleições, Lula tenta construir uma imagem de responsabilidade fiscal sem abandonar bandeiras sociais históricas do partido. A estratégia deve ser apresentar um programa que una investimentos públicos, políticas sociais e maior controle sobre o crescimento das despesas obrigatórias.