Durante entrevista após a Cúpula do G7, presidente brasileiro afirmou que o processo eleitoral é um assunto interno do país e respondeu às declarações do líder norte-americano.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (17), que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve respeitar a soberania do Brasil e evitar qualquer tipo de interferência nas eleições brasileiras. A declaração foi dada durante entrevista coletiva após o encerramento da Cúpula do G7, realizada em Évian, na França.
Lula destacou que Trump tem o direito de manter afinidade política com a família Bolsonaro, mas reforçou que o processo eleitoral brasileiro é um assunto exclusivo do país.
"O presidente norte-americano pode ter as preferências políticas que desejar, mas as eleições no Brasil dizem respeito apenas aos brasileiros. Da mesma forma, as eleições dos Estados Unidos são uma questão interna daquele país", afirmou.
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O chefe do Executivo também declarou esperar que o governo norte-americano respeite a autonomia das instituições brasileiras e preserve o princípio da soberania entre as nações.
Segundo Lula, caso Trump conheça o Brasil apenas pela relação que mantém com integrantes da família Bolsonaro, sua visão sobre o país é limitada. O presidente acrescentou que espera que o líder dos Estados Unidos mantenha uma relação baseada no respeito mútuo entre os dois países.
As declarações foram uma resposta às falas de Donald Trump durante o mesmo evento. Mais cedo, o presidente norte-americano classificou o cenário político brasileiro como "um pouco perigoso" e comentou a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Trump afirmou que Eduardo Bolsonaro estaria sendo alvo de uma ação rigorosa da Justiça brasileira. O ex-parlamentar foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão, em regime semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo. A decisão judicial considerou que ele atuou nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras e tentar influenciar o andamento do processo que investiga o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
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As declarações de ambos os presidentes evidenciam mais um capítulo das recentes tensões diplomáticas envolvendo o cenário político brasileiro e as relações entre Brasília e Washington.