Levantamento aponta que 46% têm mais medo da volta do clã do ex-presidente ao poder, enquanto 38% afirmam temer mais a reeleição de Lula
A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra que a maioria dos brasileiros não vê o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como um político mais moderado do que os demais integrantes da família Bolsonaro.
Segundo o levantamento, 54% dos entrevistados afirmaram que o pré-candidato do PL à Presidência da República não é mais moderado que o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus irmãos. O índice representa um aumento de quatro pontos percentuais em relação à pesquisa realizada em junho.
Os números representam um desafio para a estratégia adotada por Flávio durante a pré-campanha, marcada pela tentativa de construir uma imagem mais conciliadora e aberta ao diálogo em comparação com outros integrantes do grupo político bolsonarista.
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Em dezembro do ano passado, o senador chegou a afirmar que possui os mesmos princípios do pai, mas que tem posições próprias em determinados temas, citando como exemplo a vacinação contra a Covid-19. Na ocasião, declarou que seria uma versão mais moderada do sobrenome Bolsonaro.
O melhor momento dessa estratégia ocorreu em abril deste ano, quando 39% dos entrevistados consideravam Flávio mais moderado que os demais membros da família. Desde então, porém, esse percentual caiu para 29%.
No mesmo período, a parcela dos eleitores que o enxerga com o mesmo perfil político dos parentes subiu de 45% para 54%. Outros 17% não souberam ou preferiram não responder à pergunta.
A mudança na percepção do eleitorado ocorreu em meio a uma sequência de episódios que geraram desgaste para a campanha de Flávio Bolsonaro. Entre os principais fatores apontados por analistas políticos estão as discussões envolvendo a relação do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, a repercussão das articulações internacionais ligadas ao grupo bolsonarista e os conflitos familiares tornados públicos após declarações da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
A pesquisa também avaliou a percepção dos eleitores sobre os cenários para a eleição presidencial. Questionados sobre o que causa mais preocupação, 46% responderam que temem o retorno da família Bolsonaro ao poder, enquanto 38% afirmaram ter mais receio de uma nova vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Outros 8% disseram temer ambos os cenários, enquanto 4% afirmaram não ter receio de nenhum dos dois. O mesmo percentual não soube ou não respondeu.
Os números mantêm uma diferença semelhante à observada em levantamentos realizados no ano passado, quando o temor da volta dos Bolsonaro também superava o medo de uma nova gestão petista.
O levantamento mostra ainda que 57% dos brasileiros afirmam conhecer Flávio Bolsonaro e não votariam nele para presidente. O índice representa um aumento de um ponto percentual em relação à pesquisa anterior e coloca o senador como o nome mais rejeitado entre os principais candidatos avaliados.
Já a rejeição ao presidente Lula caiu de 53% para 50% no mesmo período. Em abril, o petista aparecia como o político mais rejeitado entre os entrevistados. Agora, a situação se inverteu, e Flávio registra uma diferença de sete pontos percentuais à frente do presidente nesse indicador.
Nas últimas semanas, o senador intensificou ações voltadas a segmentos considerados estratégicos para sua campanha, especialmente mulheres e eleitores religiosos. Flávio também buscou se posicionar sobre temas econômicos e comerciais, incluindo críticas ao aumento de tarifas sobre produtos brasileiros e manifestações em defesa do Pix, numa tentativa de reduzir impactos negativos sobre sua imagem.
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A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 10 e 13 de julho. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07181/2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.