Levantamento aponta que 525 mil jovens estavam nas piores formas de trabalho infantil em 2025; apesar da queda, essas ocupações ainda representam mais de um terço dos menores que trabalham
O Brasil ainda tinha 525 mil crianças e adolescentes de 5 a 17 anos envolvidos em atividades classificadas entre as piores formas de trabalho infantil em 2025. Embora o número tenha caído 6,3% em relação ao ano anterior, quando foram registrados 560 mil casos, a realidade continua preocupante. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), essas atividades correspondiam a 36,2% das crianças e adolescentes que exerciam atividades econômicas no país. Isso significa que mais de um terço dos jovens que trabalhavam estavam expostos a ocupações consideradas perigosas ou prejudiciais à saúde, à segurança e ao desenvolvimento.
Apesar da gravidade do cenário, o contingente registrado em 2025 foi o menor da série histórica, iniciada em 2016. Naquele ano, 919 mil crianças e adolescentes estavam nessas ocupações. Desde então, a redução acumulada chegou a 42,9%.
Veja também

Mulher morre após ser baleada na cabeça e no tórax pelo ex-companheiro no Distrito Federal
Três pessoas morrem baleadas por PMs em São Paulo em 12 dias; vítimas estariam em surto. VEJA VÍDEO
MENINOS E JOVENS PRETOS OU PARDOS SÃO MAIORIA
O levantamento revela diferenças entre os grupos atingidos. Em 2025, os meninos representavam 72,6% das pessoas identificadas nas ocupações classificadas como piores formas de trabalho infantil. Já crianças e adolescentes pretos ou pardos correspondiam a 68,3% do total.
A proporção dessas atividades era ainda maior entre os trabalhadores mais novos. Entre crianças de 5 a 13 anos que exerciam alguma atividade econômica, 72,2% estavam em ocupações enquadradas nessa classificação. Na faixa de 14 a 15 anos, o percentual era de 41,2%, enquanto entre adolescentes de 16 e 17 anos chegava a 31,6%.
Em números absolutos, porém, os adolescentes de 16 e 17 anos concentravam mais de 60% dos registros, devido à maior presença dessa faixa etária entre os jovens ocupados.
O QUE SÃO AS PIORES FORMAS DE TRABALHO INFANTIL?
A chamada Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil, conhecida como Lista TIP, reúne mais de 90 atividades que oferecem riscos à saúde, à segurança ou à integridade física e psicológica de crianças e adolescentes.

Foto: Reprodução
Entre os exemplos estão a produção de fumo, algodão e cana-de-açúcar, a extração de minerais, o manuseio de explosivos e substâncias inflamáveis e a operação de máquinas agrícolas perigosas. A lista também contempla atividades que expõem menores a abusos físicos, psicológicos ou sexuais.
A classificação estatística utilizada pelo IBGE busca identificar essas ocupações a partir de critérios relacionados à atividade exercida e às condições de trabalho. Portanto, os números representam uma estimativa baseada nessa metodologia.
LEGISLAÇÃO PROÍBE ATIVIDADES PREJUDICIAIS A MENORES
No Brasil, a idade mínima para o trabalho é de 16 anos, exceto na condição de aprendiz a partir dos 14 anos. Mesmo aos 16 e 17 anos, adolescentes não podem exercer atividades noturnas, perigosas, insalubres ou incluídas na Lista TIP.
A legislação busca garantir que o trabalho não prejudique a saúde, a segurança, a educação e o desenvolvimento dos jovens. A permanência de centenas de milhares de menores em ocupações de risco reforça a importância da fiscalização e das políticas públicas de proteção à infância e à adolescência.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Embora os indicadores mostrem uma redução expressiva desde 2016, os dados do IBGE demonstram que o enfrentamento do trabalho infantil continua sendo um desafio nacional.