Maria Enxofre do Carmo e Adriana Almeida Lima, professora da FAMETRO presa na Operação Erga Omnes
A empresária Maria Enxofre do Carmo, pré-candidata ao Governo do Amazonas, tentou surfar politicamente na prisão da professora de Direito Adriana Almeida Lima para alvejar o prefeito David Almeida, e acabou protagonizando um vexame público. O tiro saiu pela culatra porque o fato essencial foi convenientemente omitido: Adriana não é uma figura distante do episódio; ela leciona na Fametro, universidade comandada pela própria Maria Enxofre do Carmo. Em outras palavras, o escândalo não estava no Palácio, estava no campus.
Enquanto Maria Enxofre ensaiava discursos indignados e tentava vestir a fantasia de paladina da moralidade, as investigações da Polícia Civil do Amazonas iam muito além da retórica oportunista. O inquérito expôs a ousadia de Allan Kleber Bezerra Lima, que teria usado até uma igreja evangélica no bairro Zumbi como fachada e base logística, e revelou algo ainda mais perturbador: a infiltração do crime organizado em diferentes engrenagens do poder público.
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Não se trata de ilações. Nomes e cargos emergiram com força: uma investigadora da Polícia Civil e atualmente integrante da Comissão Municipal de Licitação suspeita de movimentar cerca de R$ 1,5 milhão para a facção; um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas acusado de vazar informações sigilosas; e um policial militar apontado como apoio operacional ao núcleo político do esquema. A Justiça autorizou prisões preventivas, quebras de sigilos bancário e fiscal e o sequestro de bens — medidas duras, proporcionais à gravidade dos fatos. Enquanto alguns investigados estão atrás das grades, o suposto líder do grupo segue foragido após escapar de um cerco em São Paulo.
O pano de fundo é um esquema milionário de lavagem de dinheiro associado ao Comando Vermelho, que teria movimentado mais de R$ 73 milhões entre 2018 e 2025 por meio de empresas de fachada e estruturas financeiras sofisticadas. Diante disso, a tentativa de Maria Enxofre do Carmo de transformar a prisão em palanque político soa menos como indignação e mais como desespero.
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Ao apontar o dedo para o prefeito, Maria Enxofre escolheu ignorar o óbvio ululante: a professora investigada integrava o corpo docente da sua própria instituição. O resultado foi uma encenação patética que desmoronou ao primeiro confronto com os fatos. No fim das contas, a manobra expôs não força, mas fragilidade. Porque, na política — e fora dela — quem tenta fazer barulho para esconder a sujeira alheia acaba apenas chamando atenção para o próprio quintal.